A morte de Ivan Ilitch, Lev Tolstói

Autor: Lev Tolstói

Lit. Russa / Clássico / Novela / 1001 Livros

Editora: 34

Páginas: 96

Ano: 2006

Ano de Publicação Original: 1886

[comprar]

A morte de Ivan Ilitch foi a terceira novela que li de Tolstói e, sem dúvidas, a mais impressionante. O autor surpreende não só pelo texto irretocável, mas por conseguir ser tão atual quanto se o tivesse escrito hoje.

Não é surpresa para ninguém que Ivan Ilitch morre. Está ali no título, está na primeira página da novela. Começamos com a notícia de sua morte e só depois passamos a conhece-lo, a saber o que fazia, quem era e como vivia.

Ivan era um juiz de instrução que, ao receber um bom cargo, termina tendo uma vida confortável. Viveu para o trabalho, para o sistema corrupto que lhe empregou, foi infeliz no casamento e vivia cercado de pessoas interesseiras, os ditos amigos. Até que, certo dia, uma doença lhe atinge e daí para frente ele só piora.

Tolstói alfineta não só o sistema judiciário russo da época, como também as relações de falsa amizade dos colegas de trabalho, que fingem ser amigos, mas na verdade estão de olho no cargo e na vida um do outro. Quão atual não é isso?

Ivan se vê sozinho, abandonado, despedaçado, enquanto o mundo ao seu redor continua a girar sem sua presença, ou melhor, sem se importar com sua ausência. Tolstói nos choca, sem piedade. Faz-nos ouvir os gritos e o silêncio de quem sabe que está morrendo, faz-nos sentir na pele o arrependimento de não ter cultivado melhores amizades, de não ter dado a devida atenção a quem merecia.

Tolstói nos mostra também como tratamos a morte com artificialidade. Não sabemos lidar com a morte. Não sabemos lidar com quem está morrendo. Mente-se. Finge-se.

E ainda que eu lhes diga todos os temas tratados, não há como ter noção da dimensão desse texto. É quase inacreditável que alguém o tenha escrito de tão sensacional. Você  se vê triste pelo enredo e pela dor de quem morre, mas estupefato pela narrativa grandiosa. Não importa quantas páginas tem, A morte de Ivan Ilitch é monumental.

* Está na lista dos “1001 livros para ler antes de morrer” (Clique aqui para ver mais sobre o Projeto 1001 livros e as resenhas já feitas da lista)

Comprar [aqui]Compre aqui Amazon

Sinopse: Esta obra mostra a história de um burocrata medíocre, Ivan Ilitch, um juiz respeitado que depois de conseguir uma oferta para ser juiz em uma outra cidade, compra um apartamento lá, para ele, sua mulher, sua filha e seu filho morarem. Ao ir para o apartamento, antes de todos, para decorá-lo, ele cai e se machuca na região do rim, dando início à uma doença.

 

O Muro, Céline Fraipont e Pierre Bailly

o muro celine fraipont

 

 

Autor: Céline Fraipont e Pierre Bailly
Graphic Novel
Editora: Nemo
Páginas: 192
Ano: 2013

 

Sou daquelas que não sabe a diferença entre um mangá, uma HQ e um comic. Lia [e adorava] histórias em quadrinho quando criança, mas confesso que esses para o público adulto nunca me atraíram. O Muro, que descobri ser uma graphic novel, foi minha estreia nesse meio, depois de muita insistência de uma amiga. Ela jurou que desse eu gostaria. E gostei.

A história se passa na Bélgica, em 1988, e tem como personagem principal uma garota de 13 anos chamada Rosie, cuja mãe casou-se novamente e foi morar em outro país e cujo pai mal pisa em casa por viajar muito a trabalho.

É a típica e trágica história da menina abandonada, da menina sem exemplos a seguir, da menina esquecida, carente e desprotegida, que desmorona com toda a sua solidão na primeira pessoa que lhe oferecer algum aconchego. Infelizmente, muitas vezes esse aconchego vem de quem também não tem muito além de uma garrafa de álcool a oferecer.

A história é bem previsível, embora seja realmente comovente. Os desenhos são maravilhosos, bem expressivos e um olhar cuidadoso perceberá que eles falam bem mais do que aparentam. O traço tem um ar intimista que me agradou, como se cada quadrinho gritasse em voz baixa.

Gostei da experiência, mas foi uma leitura “instantânea” demais para mim. Mesmo me demorando em cada quadrinho, ele, puff, acaba. Confesso que não fui fisgada para o mundo dos quadrinhos, mas, de fato, O Muro é tocante e vale a leitura.

4 Estrelas 4 corações

o muro graphic novel

o muro quadrinhos

Sinopse: O Muro é uma história poética, forte e pungente, desfiada por um desenho frio como o toque de um bisturi, que arrasta o leitor pelos caminhos obscuros de uma adolescência problemática ao som do punk rock. Estamos em 1988. Numa monótona cidadezinha do interior belga, Rosie, uma menina de 13 anos, se vê entregue à própria sorte: sua mãe fugiu com outro homem numa aventura amorosa, e seu pai vive mergulhado no trabalho. Roída por uma rotina morna e vazia, Rosie fica completamente desorientada. Assiste, impotente, à transformação de sua personalidade, ora apavorada, ora determinada, diante da melancolia que a invade e traça os contornos de sua nova vida

Matilda, Roald Dahl

 

 

 

 

Autor: Roald Dahl
Lit. Infantil
Editora:WMF Martins Fontes
Páginas: 264
Ano: 2010

 

♣Resenhado a partir da leitura do livro original, em inglês. 

Assisti Matilda muitas e muitas vezes quando criança e outras tantas vezes já grandinha. Era o filme predileto da minha irmã e um dos meus favoritos também. Lindo, cheio de magia, com uma garotinha super carismática e uma professora que todo mundo queria ter tido. Ok, era “só” isso… até eu descobrir que Matilda surgiu de um livro. Wow! Como eu não sabia disso?

Mais que isso, descobri que quem o havia escrito era o mesmo autor de A Fantástica Fábrica de Chocolate, Roald Dahl, e, portanto, criador de Willy Wonka, um dos meus personagens favoritos. Não perdi mais tempo, mergulhei na história.

O livro conta a história de Matilda, uma garotinha super inteligente que, totalmente negligenciada pelos pais, aprende a ler sozinha na biblioteca perto de sua casa. Quando ela finalmente vai para a escola, sua professora, Miss Honey, percebe que Matilda não é como os outros alunos. Afinal, que menina de cinco anos você conhece que já leu Dickens e Faulkner? Além de tudo, Miss Honey descobre que Matilda tem certos poderes mágicos.

O livro todo é uma delícia, infantil sem ser bobo, bem escrito e com bom vocabulário. Quando me dei conta, estava lendo com aquela voz de narrador de histórias infantis, cantando e contando para mim mesma as aventuras de Matilda e seu amor pela leitura.

É inevitável compará-lo com o filme e fiquei impressionada em quão fiel ele foi ao livro. Claro, há algumas diferenças. Aliás, nem diria diferenças, mas acréscimos. O filme tem alguns detalhes e cenas que não existem no livro, como a da caixa de bombons. Eu adoro essa cena e seu significado, portanto senti sua falta no livro.

Sem dúvidas, Matilda já é um clássico, atemporal, que fascina leitores de todas as idades e merece ser repassado de geração em geração.

 

HdP - Selo Crescidinhos HdP - Selo Família

 

 

 

 

 

Sinopse: Matilda adorava ler. Passava horas na biblioteca, lendo um livro atrás do outro. Mas, quanto mais ela lia e aprendia, mais aumentavam seus problemas. Os pais viam televisão o tempo todo e achavam muito estranho uma menina gostar tanto de ler. A diretora da escola achava Matilda uma fingida, pois ela não acreditava que uma criança tão nova pudesse saber tantas coisas. A história de Matilda até que poderia ser triste. Mas Roald Dahl conta as coisas de um jeito tão absurdo e exagerado, inventa tantas travessuras e aventuras malucas, que tudo acaba ficando engraçado.

 

 

Miniaturista, Jessie Burton

MINIATURISTA

 

 

Autora: Jessie Burton
Ficção Histórica
Editora: Intrínseca
Páginas: 352
Ano: 2015

 

Sempre gostei muito de histórias com brinquedos e/ou os artesãos que os fabricam. Esse mundo me fascina desde criança, seja ele mágico, como O Quebra-Nozes, ou meio macabro, como As Luzes de Setembro. Portanto, quando vi o burburinho em torno de um livro chamado Miniaturista quis ler de cara.

Miniaturista viralizou no ano passado no mundo todo, inclusive sendo finalista no GoodReads Choice 2014 na categoria Ficção Histórica e ganhando muitos outros prêmios. Então, ele tinha tudo para ser uma excelente leitura, não é? Tinha, mas não foi. Não para mim.

Miniaturista se passa no século XVII e conta a história de Nella, que aos 18 anos se casa com o comerciante Johannes para ter uma vida confortável, já que seu pai falecera deixando apenas dívidas. Chegando em Amsterdã para sua nova vida, Nella não encontra bem o que esperava de um casamento e de um lar, e vai ter que conviver com a cunhada nada agradável, Marin. De presente de casamento, seu marido lhe dá uma casa em miniatura, exatamente igual a que eles vivem, para que ela possa mobiliar e se distrair.

Bem, a premissa é bem interessante, mas o texto é arrastadíssimo, entediante e sem frescor. A época e o local escolhidos também são atraentes, mas o enredo deixa muito a desejar.

Longas conversas sobre o açúcar, como ele derretia na boca, como ele era isso ou aquilo, me deixou enfarada. O problema não era falar de açúcar, mas falar dele a hora toda, repetidamente.

Os personagens são apáticos, sem carisma algum, e muitas das atitudes deles são desconexas. A parte mais interessante, que até me deixou curiosa, é sobre o miniaturista. Queria muito entender os porquês e os “como”, mas as explicações dadas são muito vagas e continuamos curiosos, sem entender, sem saber. É tudo meio “nonsense”, sem nexo, fantasioso demais.

Então, o livro é muito ruim? Não gosto de dizer que um livro é ruim, a não ser que ele seja mal escrito, o que não é o caso. A escrita é, inclusive, boa, formal, com ótimas descrições, mas não simpatizei com o enredo.

Para alguns foi maravilhoso, até bonito. Para mim foi uma decepção, infelizmente. Leiam por sua conta em risco. rs

 

2 Estrelas 1 corações

Sinopse: No outono muito frio de 1686, Nella Oortman, de 18 anos, chega em Amsterdã para começar uma nova vida como esposa do ilustre comerciante Johannes Brandt. Mas sua nova casa, apesar de esplendorosa, não é acolhedora. Johannes é gentil, porém distante; sempre trancado em seu escritório ou no depósito onde guarda seus produtos, deixa Nella sozinha com a irmã dele, a maliciosa e ameaçadora Marin. A jovem não consegue se aproximar do marido e parece que o casamento nunca será consumado.
Mas o mundo de Nella muda quando Johannes lhe dá um extraordinário presente de casamento: uma réplica da casa deles em miniatura. A maquete é exatamente como a casa em que moram, com os mesmos quadros, tapeçarias e objetos de arte. Para mobiliar a casinha, Nella contrata os serviços de um miniaturista — um artista furtivo e enigmático, cujas criações são cópias perfeitas dos móveis e objetos da casa. O artesão envia a Nella itens finamente talhados, alguns que nem sequer foram requisitados, e bonecos que repetem e algumas vezes predizem os acontecimentos da cada vez mais estranha vida de Nella na casa.
O presente de Johannes ajuda a esposa a compreender o mundo da família Brandt, mas, à medida que ela descobre seus segredos, começa a temer os perigos crescentes que os cercam. 
Nessa sociedade religiosa e repressiva, em que o ouro só é menos venerado que Deus, ser diferente é uma ameaça às morais e nem um homem como Johannes está livre. Apenas uma pessoa parece capaz de enxergar o futuro que os aguarda. Seria o miniaturista a senha para a salvação ou o arquiteto da destruição?

Os Meninos da Rua Paulo, Ferenc Molnár

Os meninos da rua Paulo

 

 

Autor: Ferenc Molnár
Literatura Húngara / Clássico / InfantoJuvenil
Editora: Cosac Naify
Páginas:264
Ano: 2005
Publicação original: 1907

 

 

Os Meninos da Rua Paulo é um clássico húngaro de Ferenc Molnár, que desde 1907 vem encantando gerações.

O livro se passa na Budapeste do final do século XIX e conta a história de um grupo de garotos que formam um exército para proteger seu pedaço de terra de um grupo rival, como se estivessem em uma guerra, como se fossem militares.

Com bravura, perseverança e coragem nos mostram como nascem os heróis do dia-a-dia, nos mostram a importância do companheirismo, do perdão e da amizade, a dureza das traições e das derrotas e a alegria das vitórias.

Os Meninos da Rua Paulo nos mostram os grandes valores da vida e como eles já surgem ali, na infância, nas brincadeiras de rua, nas atitudes diante do amigo, e como isso vai moldando o adulto que iremos ser.

Uma leitura maravilhosa, singela, que, inevitavelmente, nos remete aos bons tempos de escola e coloca um sorriso bobo no coração de todo adulto que tem alma de criança.

Um livro simples, singelo, nostálgico, delicado. Daquelas leituras que faz com que reflitamos e queiramos ser pessoas melhores. Um clássico para todas as idades, daqueles que nos faz chorar, nos marca e nos emociona profundamente.

4 corações 5 Estrelas

Comprar (Edição Companhia das Letras):

Compre aqui Amazon

 

Comprar (Edição Cosac Naify):

Compre aqui Amazon

os meninos da rua paulo ferenc molnar

escultura budapeste os meninos da rua paulo

Homenagem aos Meninos da Rua Paulo em Budapeste, do artista Szanyi Péter

 

Sinopse: Com mais de um milhão de leitores e oitocentas reimpressões só no Brasil, “Os Meninos da Rua Paulo” é o clássico por excelência; pelo caráter universal e pela alta qualidade literária, mantém-se capaz de atingir um vasto público ao longo de décadas. A história dos garotos que defendem o “sagrado grund”, um pedaço de terra que serve de palco para as brincadeiras, projetou o húngaro Ferenc Molnár na literatura mundial, tornou-se um best-seller e inspirou cineastas por todo o mundo – das adaptações para o cinema, a mais conhecida é de Zóltan Fábri (1969). Está para nascer uma geração que não se identifique com o espírito de amizade e união presente no livro. Os garotos da Sociedade do Betume tinham duas importantes tarefas: manter o betume – símbolo da sociedade – sempre molhado, por meio da mastigação, e defender o grund, quartel general onde jogavam péla. Eis que os camisas-vermelhas, desterrados e, conseqüentemente, impedidos de jogar péla, declaram guerra à Sociedade e decidem tomar-lhe o grund. Do líder Boka ao soldado raso Nemcsek, a Sociedade do Betume se organiza para a grande batalha de Budapeste do começo do século. O que era brincadeira de criança transformou-se num belo retrato da infância. A tradução brasileira é assinada pelo escritor, tradutor e dicionarista Paulo Rónai, grande divulgador da literatura húngara no Brasil. Rónai chegou no Rio de Janeiro em 1941, fugido da guerra, e logo ganhou destaque no meio intelectual brasileiro. Apresentou diversas obras húngaras ao leitor brasileiro, como Os meninos da rua Paulo, traduzido em 1952, e clássicos da literatura universal, como A comédia humana, de Balzac, além de traduzir Memórias de um sargento de milícias, de Manuel Antônio de Almeida, para o francês. Esta nova edição traz um posfácio e notas do poeta e tradutor de origem húngara Nelson Ascher. Em suas palavras, Os meninos da rua Paulo “lembra-nos de uma verdade tão central como óbvia: que, nas horas e situações decisivas de suas vidas, os jovens querem mesmo é estar uns com os outros. […] É entre eles que se firma os vínculos mais vitais e se trocam as emoções mais profundas”.

Os Miseráveis, Victor Hugo

Autor: Victor Hugo

Clássico / Literatura Francesa / 
1001 livros

Editora: Cosac Naify

Páginas: 1972

Ano: 2012

Ano de Publicação Original: 1862

[Comprar]

 

Como começar a escrever sobre o melhor livro que você já leu na vida? Como fazer justiça a essa grandiosidade que é Os Miseráveis? Como expressar a capacidade de Victor Hugo em conduzir e caracterizar seus personagens com tamanha coerência? Como!? Como demonstrar a imensa admiração que agora nutro por esse escritor?

Nada do que eu disser será o bastante, portanto, lhes digo: leiam-no! E aconselho que não tenham pressa, aguardem o momento certo e a disposição para adentrar nas quase duas mil densas e profundas páginas. Invistam em uma boa edição, com boa tradução, pois provavelmente será O livro da sua vida. {ao final falo sobre a minha edição} 

Eu tive a oportunidade de assistir ao musical no West End e desde então virei fã de carteirinha, daquelas que, vira e mexe, está no youtube vendo e revendo os concertos comemorativos. Mas, e quanto ao livro? Como ler tantas páginas de uma história que você já conhece e sem o fundo musical que você adora? E mais… Victor Hugo é tido por muitos como um defensor das “vítimas da sociedade”, como eu iria digerir isso? Ah, meus colegas, quem assim o interpretou só pode ter ficado bem na superfície de seu texto. Ele vai muito além disso, muito… Confundem-no como defensor de criminosos, quando na verdade ele defende os injustiçados e critica a raiz do problema.

Os Miseráveis se passa na França, na primeira metade do século XIX e tem como personagem central Jean Valjean, um homem condenado a 19 anos de prisão, a princípio por roubar um pão para alimentar os sobrinhos. Posto em liberdade, é rechaçado pela sociedade, até ser acolhido por um Bispo – e toda a sua misericórdia – que lhe aponta o caminho da redenção. E é essa árdua caminhada e sua constante luta com sua consciência que acompanhamos.

Por mais que seja uma história conhecida por muitos, prefiro não contar nada além, prefiro não falar de Fantine, de Cosette, de Marius ou de tantos outros personagens que vão, indubitavelmente, lhe encantar. São muitos, muitos personagens e todos, sem exceção, incrivelmente bem caracterizados. Ninguém aparece nessa história de fininho ou por acaso. Eles são sempre coerentes, atemporais, bem embasados, sabemos como pensam e como agem, conhecemos seu caráter e seus porquês. São tão verossímeis, tão variados, tão reais… são tantos tipos que me perguntei diversas vezes quem foi Victor Hugo. Quem foi esse profundo conhecedor da consciência, da essência e das características humanas? Essa tipificação que ele faz é sensacional.

Victor Hugo nos fala de Deus, sempre! Mostra-nos a bondade de um homem desprendido de todo o materialismo, um misericordioso; nos traz uma mãe e seu amor incondicional, sua dor, seu martírio, a angústia de não poder dar tudo o que quer para sua filha; nos traz picaretas e bandidos da pior espécie; faz-nos adentrar na mente dos revolucionários daquela época, da juventude que lutava por um país melhor; mostra-nos as terríveis injustiças que afetam a vida das pessoas e que têm um efeito dominó destruidor, como uma bola de neve sem fim. Ele nos fala de fofoca, dos fatos não apurados, da maneira irresponsável com que repassamos algo sem averiguar sua veracidade e, assim, da noite para o dia, destruímos a vida do outro.

Victor Hugo fala muito da nossa consciência e da força que ela exerce sobre nossas decisões, da luta que com ela travamos diariamente. E, principalmente, ele fala do perdão, da misericórdia e suas consequências. Faz uma profunda reflexão sobre os conventos, os claustros e a vida das irmãs que abdicam de sua liberdade.

Fala da importância do trabalho e do perigo do ócio; da necessidade de educação para todos a fim de igualar as oportunidades da população e extinguir a injustiça social; fala da História, de como ela é escrita, de como deve ser um historiador; da gíria, sua origem e seu papel na sociedade e na literatura; fala de progresso e, claro, de liberdade, igualdade e fraternidade. Critica o comunismo e a partilha, uma vez que eles extinguem a competição e, por consequência, o trabalho. Fala tudo isso de maneira tão lúcida e tão coerente que tudo tem sempre um ar de verdade absoluta.

“O crescimento intelectual e moral não é menos indispensável que o progresso material. O saber é um viático; pensar é a primeira necessidade; a verdade alimenta tanto quanto o pão.”

“Destruamos a caverna Ignorância e destruiremos a toupeira Crime”

Victor Hugo faz com que mergulhemos em Waterloo sob uma perspectiva um pouco diferente da dos livros de História. Aliás, agora posso dizer que sei o que significou a batalha de Waterloo para a Europa naquela época. Leva-nos a compreender melhor as barricadas e as inúmeras revoluções do período pós-napoleônico na França.

Ele fala, fala, fala e, por vezes, parece que o que está contando é desnecessário, exagerado ou detalhado demais, então lá na frente lhe surpreende conectando todas as pontas. São muitas páginas e a leitura não é das mais rápidas. Não por ter uma escrita difícil ou algo do tipo, mas por trazer à tona muitas reflexões acerca da condição humana.

E para rechear tudo, ainda temos um lindo romance, uma história de amor pura e singela, daquelas paixões meio proibidas, meio mágicas, um tanto poéticas, que extravasa e tudo vence.

“Tirem a esses murmúrios de dois amantes a melodia que sai da alma e que os acompanha como uma lira, e o que resta não passa de sombra. Diremos então: – Ora! só isso! – Sim, isso mesmo; criancices, repetições, risos por nada, inutilidades, bobagens, tudo o que há no mundo de mais profundo e sublime! As únicas coisas que valem a pena ser ditas e ouvidas. O homem que jamais ouviu essas ninharias, essas frivolidades, o homem que jamais as pronunciou, é um imbecil, é um mau homem.”

É difícil falar desse livro, de tudo que nele há, da sua beleza e grandiosidade… só lendo para entender. É incrível, sensacional, único! É mais que bem construído, é mais que poético, é mais que bem escrito, é mais que engenhoso. É surpreendente, apaixonante, viciante, contagiante…

“Morrer de amor é viver.”

Se antes era difícil responder qual o melhor livro que eu já lera, agora ficou fácil, facílimo! Os Miseráveis, meu querido! Todo leitor MERECE esse prazer!

(mais abaixo comento sobre as edições e traduções)

5 Estrelas 5 corações

favoritos

* Está na lista dos “1001 livros para ler antes de morrer” (Clique aqui para ver mais sobre o Projeto 1001 livros e as resenhas já feitas da lista)

Comprar [aqui]

os miseráveis edições

Sobre a minha edição:

{não é publipost} A primeira edição que comprei de Os Miseráveis foi aquela maravilhosa, em capa dura, da Martin Claret. A edição está linda, diagramação perfeita, páginas amarelas, bom tamanho de fonte, só tem um porém: é bem frágil, temos a sensação de que ele vai se desfazer se o manusearmos muito. Juntando essa fragilidade à dificuldade de carregar um volume tão grande – além de ter um bebê de 5 meses ao meu lado vinte e quatro horas por dia -, resolvi comprar o ebook da Cosac Naify. (Pra quem lê sentado com o livro apoiado em uma mesa, não vejo problemas com a edição da Martin Claret)

A comparação entre Cosac Naify e Martin Claret foi inevitável. Os trechos que eu destacava no ebook, eu tentava marcar também no livro com flags (mania minha), e fui percebendo a diferença entre as duas traduções. Qual a mais fiel? Não tenho como saber. Qual a mais poética? Da Cosac, sem dúvida. Trechos lindos que eu destacava na edição da Cosac eram um pouco sem graça na da Martin Claret. Resultado: comprei o físico da Cosac também para poder ter as benditas marcações. {ô vício!}

A da Cosac é boa para ler? Nem boa, nem ruim. É uma edição de bolso, então é aquele livro gordinho, pequeno, de páginas brancas, comum. É dividida em dois volumes e vem em um box em cartão duro.

Vi ainda uma terceira edição. Existe um ebook na Amazon que custa cerca de 10 reais, então pedi uma amostra grátis antes de escolher o da Cosac. Não recomendo, a não ser que você não se incomode quando Charles vira Carlos, e por aí vai. Eu não gosto quando traduzem nomes próprios, mas isso é bem pessoal.

É um livro que vale muito a pena investir em uma boa edição. A mais bonita é a da Martin Claret, disparada, mas para ler sugiro o ebook da Cosac.

Atualização: A Companhia das Letras (Penguin) lançou uma nova edição de Os Miseráveis com a mesma tradução da editora Cosac. A Nova Fronteira lançou um box com dois volumes em capa dura e uma nova tradução.

os miseraveis 1001 livros

Desenhos super fofos dos personagens de Os Miseráveis no livro 1001 livros para ler antes de morrer

“O que é preciso para fazermos desaparecer essas larvas? Luz. Luz em quantidade. Não há morcego que resista à aurora. Iluminemos a sociedade pela parte de baixo.”

“O comunismo e a lei agrária julgam resolver o segundo problema. Mas se enganam. O modo como repartem mata a produção. A partilha igual suprime a emulação e, por consequência, o trabalho. É uma partilha feita pelo açougueiro, que mata o que divide. Portanto, não podemos aceitar essas pretensas soluções. Matar a riqueza não é reparti-la.”

Para comprar, clique nos livros abaixo:

 

Sinopse: {Cosac} Edição comemorativa do bicentenário de Victor Hugo (1802-1885), em tradução inteiramente revista e adequada à leitura contemporânea. 
Esse tratamento e a edição com 816 notas de pé de página, elucidativas do contexto histórico e cultural da França no século XIX, fazem desta a versão definitiva da obra em português. Hugo narrou seu romance magistral numa linguagem que representou para a literatura “o mesmo que a Revolução Francesa na História”, segundo o crítico Sérgio Paulo Rouanet. O fio condutor é o personagem de Jean Valjean, que, por roubar um pão para alimentar a família, é preso e passa dezenove anos encarcerado. Solto, mas repudiado socialmente, é acolhido por um bispo. O encontro transforma radicalmente sua vida e, após mudar de nome, Valjean prospera como negociante de vidrilhos, até que novos acontecimentos o reconduzem ao calabouço.

 

Mentirosos, E. Lockhart

MENTIROSOS
Autora: E. Lockhart
Young Adult/ Drama / Mistério
Editora: Seguinte
Páginas: 272
Ano: 2014

 

Mentirosos foi o livro vencedor do GoodReads Choice 2014, uma premiação popular da maior rede social de leitores do mundo, na categoria Young Adult. Foi assunto do momento alguns meses atrás nos grupos de leitura, os comentários sempre incluíam palavras como surpreendente e inesperado, e apesar de ter ficado curiosa, só agora resolvi tirá-lo da pilha de livros para ler.

Sim, é inesperado, tem seu quê de originalidade, é um tantinho surpreendente, mas, talvez pela alta expectativa, deixou um pouco a desejar.

Mentirosos conta a história de 4 melhores amigos: Cadence, primeira neta e provável herdeira dos Sinclair, Johnny e Mirren, seus primos, e Gat, um amigo. Juntos, eles, os mentirosos, passam as férias de verão na propriedade dos Sinclair, uma família rica e tradicional, que não permite erros e não admite falha, cujos membros vivem em uma briga mascarada por uma maldita herança. Em um dos verões, Cadence sofre um estranho acidente que lhe deixa com amnésia e fortes dores de cabeça. Ela não se lembra do que aconteceu naquele dia, e todos se recusam a lhe dizer qualquer informação, já que foi recomendado que ela se recorde sozinha, aos poucos. Por que?

Comecei a leitura sem saber muito o que esperar. Sabia apenas que tinha um final um tanto chocante, então já fui preparada para alguma surpresa.

A proposta do livro é bem interessante, a estrutura da narrativa é muito boa e a escrita é agradável. É narrado em primeira pessoa pela Cadence e tem um tom que me deixou encasquetada durante toda a leitura tentando entender o que era aquilo, procurando, sem sucesso, alguma palavra para classificá-lo, mas que no final fez todo o sentido.

Mesmo considerando a história bem escrita, não foi uma leitura gostosa. Os personagens são meio apáticos, sem carisma, e tampouco consegui me transpor para os cenários descritos. O passar de páginas era apenas para descobrir o que acontecera ou qual a proposta da autora.

Não dá pra entender bem o propósito do livro, embora por um lado dê pra enxergar uma crítica às famílias que só pensam em dinheiro, em herança e terminam vivendo uma farsa e se destruindo.

É um livro interessante, mas é um pouco como ler uma mentira, então leiam por sua conta em risco. 😉

3 corações 3.5 EstrelasComprar:

livrariaculturalogo

 

 

Sinopse: Os Sinclair são uma família rica e renomada, que se recusa a admitir que está em decadência e se agarra a todo custo às tradições. Assim, todo ano o patriarca, suas três filhas e seus respectivos filhos passam as férias de verão em sua ilha particular. Cadence – neta primogênita e principal herdeira -, seus primos Johnny e Mirren e o amigo Gat são inseparáveis desde pequenos, e juntos formam um grupo chamado Mentirosos.

Durante o verão de seus quinze anos, as férias idílicas de Cadence são interrompidas quando a garota sofre um estranho acidente. Ela passa os próximos dois anos em um período conturbado, com amnésia, depressão, fortes dores de cabeça e muitos analgésicos. Toda a família a trata com extremo cuidado e se recusa a dar mais detalhes sobre o ocorrido… até que Cadence finalmente volta à ilha para juntar as lembranças do que realmente aconteceu.