Ratos e homens, John Steinbeck

Autor: John Steinbeck

literatura americana / clássico / 
1001 livros / nobel de literatura

Editora: L&PM

Páginas: 144

Ano: 2005

Ano de publicação original: 1937

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Estou bem sumida, o mestrado tem preenchido praticamente todo o tempo que eu tinha para ler [restando apenas o das inevitáveis salas de esperas da vida rs], e nem cogito conseguir parar para escrever uma resenha digna. Porém, não poderia deixar de falar de Ratos e Homens, de Steinbeck, Nobel de Literatura de 1962.⠀

Impactante! Leitura curta e rápida, mas grandiosa e cheia de significado. Fala sobre amizade e sonhos, muitos sonhos. Dos que, certamente, justificam o amanhecer de cada dia de quem os tem. De tão improváveis, tristes…⠀

Fala sobre… homens… e, caramba, ratos! Leiam! Que livro!

* *Está na lista dos “1001 livros para ler antes de morrer” (Clique aqui para ver mais sobre o Projeto 1001 livros e as resenhas já feitas da lista)

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Sinopse: George e Lennie são dois amigos bem diferentes entre si. George é baixo e franzino, porém astuto, e Lennie é grandalhão, uma verdadeira fortaleza humana, mas com a inteligência de uma criança. Só o que os une é a amizade e a posição de marginalizados pelo sistema, o fato de serem homens sem nada na vida, sequer família, que trabalham fazendo bicos em fazendas da Califórnia durante a recessão econômica americana da década de 30. Ganham pouco mais do que comida e moradia. No caminho, encontram outros sujeitos pobres e explorados, mas também situações que colocam em risco a sua miserável e humilde existência.

Em Ratos e homens, Steinbeck levou à maestria sua capacidade de compor personagens tão cativantes quanto realistas e de, ao contar uma história específica, falar de sentimentos comuns a todos seres humanos, como a solidão e a ânsia por uma vida digna.

Ragtime, E. L. Doctorow

 

Autor: E. L. Doctorow

Literatura Americana / 1001 Livros

Editora: Record / Tag Livros

Páginas: 336

Ano: 2017

Ano de Publicação Original: 1974

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Eu já tinha cancelado minha assinatura da Tag (clube de livros) quando vi, sem querer, uma foto do livro do mês. Era Ragtime em uma edição belíssima, com um piano que se transforma no skyline novaiorquino. Além disso, o livro é um dos 1001 para ler antes de morrer, portanto, corri para renovar minha assinatura a tempo.

Ragtime é um gênero musical que nasceu no final do século XIX nas comunidades negras dos Estados Unidos, sendo precursor do jazz. O livro de Doctorow se passa no início do século XX, quando o ritmo, que tinha o piano como seu principal instrumento, estava no seu auge.

Depois da capa glamourosa, da explicação sobre o ragtime, da playlist maravilhosa e do mimo em formato de piano que a Tag enviou, criei grandes expectativas e imaginei que teríamos o ragtime, seus músicos e algum clube como cenário. Pra não dizer que não tem nada disso, um dos personagens principais menciona que é músico e toca uma única vez o piano. Só. [Sim, há referências na capa que podem ser apontadas, como uma chuva de fogos ou o piano, mas simplesmente não funcionou para mim.]

Tirando a falta de conexão entre capa e história, o livro é excelente, embora não tenha um pingo de glamour. É uma história triste, de preconceitos, de sobrevivência, de rótulos, de segregação. São muitos personagens, entre fictícios e reais, que aparecem e desaparecem, se conectam e se perdem.

A escrita de Doctorow é fabulosa e nos leva a ler páginas e mais páginas sem sentir. Se o ragtime tem algo a ver com essa história, certamente é com o estilo de narrativa meio descompassada, meio solta, meio bagunçada, mas que no final tem harmonia, tal qual o gênero musical. Pode parecer loucura, mas depois de ouvir as músicas foi inevitável a associação do ritmo delas à escrita do autor.

Além da escrita, um ponto alto são os personagens históricos que enriquecem o livro, como Evelyn Nesbit, Henry Ford e J.P. Morgan. Destaco também os personagens sem nome, que pregam uma peça no leitor lá nas primeiras páginas, fazendo com que pensem estar lendo um história em 1ª pessoa.

Ragtime me fez entender de forma bem clara um pouco do que foi o início do século XX nos Estados Unidos e todas as dificuldades e preconceitos sofridos pelos imigrantes. Um bom livro, sem dúvidas, e só a escrita já vale a leitura.

* Está na lista dos “1001 livros para ler antes de morrer” (Clique aqui para ver mais sobre o Projeto 1001 livros e as resenhas já feitas da lista)

Sinopse: No início do século XX, o ragtime era o mais popular idioma musical dos Estados Unidos.O termo originou-se da expressão ‘ragged time’, referindo-se ao ritmo sincopado e de contratempo do rag. É com esta estrutura que Doctorow descreve a vida de uma família fictícia, cujos membros são designados como Papai, Mamãe, Irmão Mais Novo de Mamãe e Vovô. O autor intercala o cotidiano da família com figuras e acontecimentos históricos: o ilusionista Houdini, a rotina do milionário J. P. Morgan, o genial inventor Henry Ford, as lutas da anarquista Emma Goldman, o poder da imprensa, o nascimento do cinema, as greves trabalhistas. Em meio a tudo isso, a figura silenciosa do Irmão Mais Novo de Mamãe é o elemento criador da conexão entre capítulos, retratando o dinamismo, a riqueza e a miséria de um país ainda em formação.

O Ruído do Tempo, Julian Barnes

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Autor: Julian Barnes
Ficção Histórica / Música
Editora: Rocco
Páginas: 176
Ano: 2017

 

Uma biografia meio romanceada de um dos maiores compositores do século XX, escrita por um autor consagrado com um Man Booker Prize. Foi assim que O Ruído do Tempo me foi apresentado. Prometia boa literatura e um pouco da vida de Shostakovich, uma deliciosa combinação.

O autor escolheu alguns episódios – sempre envolvidos com o governo comunista soviético – da vida de Shostakovich para abordar, então não temos aqui uma biografia completa e linear, nem um estudo sobre a sua música. Aliás, a música é pouco citada.

O Ruído do Tempo foca nos conflitos vividos pelo compositor, nas difíceis decisões que teve que tomar [ou que tomaram por ele] e que influenciaram completamente sua vida e carreira. Ficção e realidade se misturam quando entramos na mente de Shostakovich, nos seus pensamentos, nas suas angústias.

O primeiro e mais importante episódio narrado aconteceu em 1936, quando Stálin foi assistir a aclamada ópera de Shostakovich, a Lady Macbeth de Mtensk. Dias depois, saiu no Pravda, principal jornal da época, que aquilo era “confusão ao invés de música”. A obra foi censurada e Dmitri Shostakovich caiu em desgraça. É a partir daí que tudo se desenrola.

A sensação que temos é a de que Shostakovich era tão bom, mas tão bom, que o Governo, vendo que ele fazia muito sucesso com o público, resolveu usá-lo a seu bel-prazer. Seria uma ótima propaganda. Vejam como valorizamos a música! E Shostakovich teve que dançar conforme a música. Era isso ou morrer!

Covardia, fraqueza ou falta de opção? Sua vida ou sua integridade? Era um gênio, não um herói. Julian Barnes fala que ser covarde é mais complicado do que ser herói. Para ser herói basta uma morte simbólica, enquanto o covarde vive a angústia da mentira por toda uma vida. Será?

Há ainda um outro ângulo, uma outra possibilidade a ser considerada. Alguns acreditam que Shostakovich era irônico. Fingia ser a favor do regime, mas expressava o que bem queria em suas sinfonias. Há quem reconheça essa rebeldia em sua obra.

“O sarcasmo era perigoso para quem o empregava, identificável como linguagem do destruidor e do sabotador. Mas a ironia – talvez, às vezes, ele esperava – permitiria que conservasse o que valorizava, mesmo quando o ruído do tempo se tornava alto o bastante para quebrar vidraças. O que ele valorizava? Música, família, amor. Amor, família, música. A ordem de importância costumava variar. A ironia podia proteger a música? Desde que a música continuasse a ser uma linguagem secreta que permitia que contrabandeasse coisas pelos ouvidos errados. Mas não podia existir apenas como um código: às vezes era preciso dizer as coisas de forma direta. A ironia poderia proteger seus filhos? Maxim, na escola, com dez anos de idade, tinha sido obrigado a caluniar o pai publicamente numa prova de música. Nestas circunstâncias, de que servia a ironia para Galya e Maxim?”

O livro me trouxe muitas reflexões acerca dos musicistas e suas reais relações com os governos tirânicos. Até onde o público sabe a verdade? Até que ponto um artista abandonaria sua música? Até que ponto somos íntegros quando a vida de sua família corre perigo? Fugir, como fez Stravinsky, por exemplo, é uma opção?

Não bastasse tudo isso, a escrita de Barnes é fabulosa. Com uma narrativa não linear, daquelas que não se pode piscar, o autor me deixou estupefata, querendo ler tudo que já escrevera. Entrei pela música e saí deslumbrada com um livro sensacional!

5 Estrelas 5 corações

Para Ouvir:

Mesmo quem acha não conhece o compositor, certamente reconhecerá sua popular Valsa nº 2, que já foi tema de alguns filmes. Deixo aqui um vídeo da Valsa e o de uma de sua sinfonias mais bonitas, a Sinfonia nº 5.

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Sinopse: Em seu primeiro romance desde O sentido de um fim, vencedor do Man Booker Prize, e após o sensível ensaio sobre o luto Altos voos e quedas livres, Julian Barnes resgata e ficcionaliza a trajetória do compositor russo Dmitri Shostakovitch para retomar questões recorrentes em sua obra como a memória e a verdade. A história tem início em 1937, na União Soviética, quando Shostakovich tem certeza de que será preso, exilado na Sibéria, talvez até executado, após escrever um de seus maiores concertos, Lady Macbeth de Mtsensk, que não agradou ao governo. A partir daí, Barnes constrói (ou desconstrói) uma breve biografia de um dos grandes nomes da música do século XX, um personagem complexo e contraditório, com uma narrativa extremamente humana sobre integridade, coragem e poder que celebra, acima de tudo, a liberdade artística. Aclamado pela crítica estrangeira, O ruído do tempo já se destaca como uma das incontestáveis obras-primas de Julian Barnes.

A Revolução dos Bichos, George Orwell

a revolução dos bichos george orwell

 

 

Autor: George Orwell
Clássico Moderno / 1001 livros / Sátira
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 147
Ano: 2007
Ano de Publicação Original: 1945

 

Sempre quis ler 1984, obra-prima de George Orwell, mas A Revolução dos Bichos não estava nos meus planos, confesso. Até que, revirando as páginas de “1001 livros para ler antes de morrer”, me deparei com sua recomendação. Era um livro curtinho, ótimo para intercalar com as 2500 páginas da minha leitura atual. George Orwell utiliza uma granja e seus animais para satirizar o socialismo soviético e faz isso com brilhantismo. Que leitura incrível!

Major, um porco velho, discursa e deixa algumas recomendações para os animais pouco antes de sua morte. Cansados de serem explorados pelo sr. Jones e querendo seguir os preceitos do Major, os animais se rebelam. Liderados pelos porcos Napoleão {Stalin} e Bola-de-Neve {Trotski}, expulsam o granjeiro e começam uma nova sociedade, uma sociedade igualitária, justa, sem hierarquias ou mordomias – ou assim eles sonhavam. Porém – rapidamente – o poder os corrompe e a utopia desmorona. Napoleão expulsa Bola-de-Neve, torna-se um líder único, tirano, cheio de luxos, e o que parecia um regime ideal mostra-se algo pior do que viviam antes.

É um manifesto contra o comunismo, sem dúvidas, mas ele extrapola. É uma fábula sobre poder, traição e ganância. A Revolução dos Bichos desmancha e desmonta não só a utopia do socialismo soviético, mas qualquer (des)governo autoritário. É incrível como ele cai como uma luva para o momento em que vivemos, infelizmente. [Estou fazendo um esforço tremendo para não falar de política, pois não é minha intenção.]

Os animais, que se queixavam de ter que trabalhar para Jones, passam a trabalhar para consumo próprio. E trabalham, e trabalham… cada dia mais. Às vezes, eles têm a impressão de que estão trabalhando mais do que antes, mas logo chega Garganta, um porco com um poder de persuasão enorme, e lhes faz crer que antes da Revolução tudo era pior, que eles eram quase escravos e passavam fome. E, tolos e ignorantes que são, os animais acreditam.

Disciplina, camaradas, disciplina férrea! Esse é o lema para os dias que correm. Um passo em falso, e o inimigo estará sobre nós. Por certo, camaradas, não quereis Jones de volta, hein?

A vida agora tinha muito mais dignidade. Havia mais canções, mais discursos, mais desfiles.

Qualquer semelhança com a atualidade é pura imaginação de vocês! 😉 E o que falar de transformar em monstros seus inimigos?

Suponhamos que tivésseis decidido seguir Bola-de-Neve, com suas miragens de moinho de vento – logo Bola-de-Neve, que, como hoje sabemos, não passava de um criminoso.

Orwell nos mostra a arte de negar derrotas e transformá-las em vitórias, a arte de ludibriar os outros e fazer com que propaguem mentiras como se fossem verdades.

E o discurso que Napoleão fez congratulando-se com a atuação deles, pareceu-lhes que, afinal de contas, haviam obtido uma grande vitória.

Napoleão bem sabia dos maus resultados que poderiam advir caso a verdadeira situação alimentar da granja fosse conhecida […] deu ordens para que as tulhas do depósito, que estavam quase vazias, fossem recheadas de areia quase até a boca, depois completadas com cereais e farinha grossa.[…] Whymper foi ludibriado e continuou a dizer lá fora que, absolutamente, não havia falta de alimento na Granja dos Bichos.

E quanto a liberdade, o lazer, a qualidade de vida? Claro! Praticamente pilares do comunismo!

Napoleão fez saber que haveria trabalho também nos domingos à tarde. Esse trabalho era estritamente voluntário, porém o bicho que não aceitasse teria sua ração diminuída pela metade.

E as mordomias? Ah!, as mordomias… Os luxos, antes tão criticados, se tornam um deleite, completamente indispensáveis. Ah, somente aos líderes, claro.

Era absolutamente necessário […] que os porcos, sendo os cérebros da granja, tivessem um lugar calmo onde trabalhar.

Redução? Jamais. Reajuste, sim.

Naquele momento, de fato, fora necessário realizar um reajuste de rações (Garganta sempre se referia a ‘reajustes’, nunca a ‘reduções’), mas em comparação com o tempo de Jones, a diferença para melhor era enorme.

As citações falam por si só, o livro foi/é de suma importância. É preciso mencionar também a coragem de Orwell em escrever tal livro em plena II Guerra Mundial. Quanta audácia, sr. Orwell!

George foi extremamente perspicaz, inteligente e conciso. O texto flui facilmente, é claro, sagaz e, eu diria, memorável. Ele usa a ironia e o sarcasmo com tanta maestria que me fez rir de sua destreza durante a leitura. Sarcasmo esse um pouco debochado, mas sem jamais perder a fineza.

Um livro sensacional, leitura obrigatória e elucidativa. Finalizo com a melhor e mais forte citação do livro, na minha opinião:

Todos os bichos são iguais, mas alguns bichos são mais iguais que outros.

5 Estrelas5 coraçõesfavoritos

* Está na lista dos “1001 livros para ler antes de morrer” (Clique aqui para ver mais sobre o Projeto 1001 livros e as resenhas já feitas da lista)

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Sinopse: Verdadeiro clássico moderno, concebido por um dos mais influentes escritores do século 20, “A Revolução dos Bichos” é uma fábula sobre o poder. Narra a insurreição dos animais de uma granja contra seus donos. Progressivamente, porém, a revolução degenera numa tirania ainda mais opressiva que a dos humanos
Escrita em plena Segunda Guerra Mundial e publicada em 1945 depois de ter sido rejeitada por várias editoras, essa pequena narrativa causou desconforto ao satirizar ferozmente a ditadura stalinista numa época em que os soviéticos ainda eram aliados do Ocidente na luta contra o eixo nazifascista.
De fato, são claras as referências: o despótico Napoleão seria Stálin, o banido Bola-de-Neve seria Trotsky, e os eventos políticos – expurgos, instituição de um estado policial, deturpação tendenciosa da História – mimetizam os que estavam em curso na União Soviética.
Com o acirramento da Guerra Fria, as mesmas razões que causaram constrangimento na época de sua publicação levaram A Revolução Dos Bichos a ser amplamente usada pelo Ocidente nas décadas seguintes como arma ideológica contra o comunismo. O próprio Orwell, adepto do socialismo e inimigo de qualquer forma de manipulação política, sentiu-se incomodado com a utilização de sua fábula como panfleto.

O Resgate no mar (Outlander #3), Diana Gabaldon

O resgate no mar Diana Gabaldon
Autora: Diana Gabaldon
Romance Histórico
Editora: Saída de Emergência
Páginas: 1200 (Parte I e II)
Ano: 2015
Série: Outlander #3

 

 A Editora Saída de Emergência anunciou o lançamento do terceiro livro da série Outlander para o dia 16/05 e, assim como o da editora Rocco (edição esgotada), será dividido em duas partes. 


Supresa, choque, agonia, amor, aflição, felicidade…

Li os dois primeiros livros da série e resolvi dar um tempinho antes de começar o terceiro volume. Eu já nem lembrava mais porque eu parara a série, mas foi só ler algumas páginas que, puft, claro!, ou eu parava ou a Diana Gabaldon me despedaçava completamente!

Os comentários abaixo são sobre as partes 1 e 2 de O Resgate no Mar, e contém spoiler dos livros anteriores – se não os leu, melhor parar por aqui. Resenha do primeiro livro, A Viajante do Tempo, aqui; resenha do segundo livro, A Libélula no Âmbar, aqui.

Em A Viajante do Tempo Claire volta cerca de 200 anos no tempo através de uma fenda entre as pedras de Craigh na Dun, conhece Jamie, casa-se e se apaixona perdidamente. Entre muito amor, torturas, castigos e um toque de humor, a autora me conquistou e me fez amar esse casal em cada pequeno detalhe. Fez-me também sentir uma dor que eu jamais sentira em uma leitura, uma agonia quase insuportável, um gosto amargo, um cheiro ruim, uma raiva infinita de um certo Jack Randall e uma vontade imensa de fazer o que quer que estivesse ao meu alcance pelo Jamie, para curá-lo, para salvá-lo.

Passamos para A Libélula no Âmbar e, WTF?!, Diana joga um balde de água gelada bem em cima de nossas cabeças. Brianna Randall! Randall?! Claire e Jamie vinte anos separados?! O quê?! E começa a nos contar o que aconteceu com eles no período que antecedeu a tal separação. Não sei se devido ao choque inicial, mas confesso que achei esse livro longo demais, um pouco cansativo – apesar de ainda considerá-lo muitíssimo bom.

O Resgate no Mar é nossa esperança de entender o que aconteceu naqueles 20 dolorosos anos, ou melhor, é nossa esperança de que tudo não tenha passado de uma brincadeira – sem graça! – da sádica, ops, digo, da autora. É, principalmente, nossa esperança de um reencontro entre Claire e Jamie! *suspiros* 

Há o reencontro, a sinopse já estraga essa surpresa, mas enquanto ele não chega lemos sobre os anos de Jamie na prisão e vemos Roger e Brianna ajudarem Claire a reunir todas as informações possíveis sobre seu grande amor.

A maior parte da história continua sendo contada em primeira pessoa pela Claire, mas temos alguns trechos – sobre Jamie – em terceira pessoa. Oh, céus! Pensei que ia morrer de tanto medo e de tanta ansiedade a cada parágrafo, já que a autora adora maltratar o belo Fraser.

É impressionante como essa autora consegue escrever sobre…er…sobre nada e coisa alguma, mas de uma maneira tão envolvente que você nem percebe até que se dá conta de que leu duzentas páginas e nada avançou. Ledo engano! Tudo avançou, tudo tem uma razão, cada frase, cada ação, cada detalhe tem seu porquê e se conecta com algo lá na frente. Ela faz sumir, surgir e ressurgir personagens e histórias! E ai de quem se perder no meio do caminho!!

Como já era de se esperar, um turbilhão de sensações nos acompanha a cada capítulo, muitas sensações, todas, das mais diversas, das boas e das ruins. Porém, considero-as um pouco diferentes – e é difícil explicar o porquê, mas talvez seja por termos aqui situações distintas das que já vivemos nos primeiros livros.

Quantas paradas cardíacas tive? Não sei, algumas, mas cito três delas. Na primeira, lá pela página duzentos, meu coração ficou pequenininho. Não, Diana, não faça isso! Não! Jamie! Nãooooo!

Rá! Grande piada! Mal sabia eu que aquilo não era nada se comparado ao que a querida autora faria no início da parte II. Diana, sua filha d….., se esconda, mas se esconda bem escondidinha porque se eu lhe encontrar vou lhe matar e lhe cortar em pedacinhos, mas antes disso vou fazer você sofrer, vou apertar uma corda ao redor do seu pescoço até você ficar sem respirar, vou cravar minhas unhas no seu peito e só parar quando o sangue começar a jorrar, vou fazê-la tremer, vou torturá-la até você perceber que é EXATAMENTE isso que você faz comigo! Ah, Jenny merecia ser estrangulada e até no Jamie eu quis bater!

E quando você acha que fez as pazes, puft, seus olhos se arregalam quando um certo lorde John Grey aparece. Inspira, expira, pira… Talvez uma parada cardíaca não se encaixe bem aqui, já que meu coração disparou, prendi a respiração, fechei o livro, tomei um copo d’água, reuni todas as minhas forças e continuei – suando frio, mas continuei! Como pode tudo parecer tão palpável? As reações que temos são tão verdadeiras que torna-se embaraçoso ler diante de alguma plateia. Afinal, como explicar que você jogou o livro na parede enquanto rangia os dentes de raiva?!

É o livro mais fantasioso dos três, tem muitas coincidências e um certo misticismo a mais, mas é tão bom quanto A Viajante – ou até melhor. Minha única ressalva é a parte em que se passa dentro do navio, que me entediou e me deixou tão enjoada quanto se eu estivesse a bordo. Adoro o fato do toque de humor continuar presente e do amor entre os dois ser cada dia mais forte, mais sincero e maduro. Amo a sinceridade e a confiança que existe entre eles, amo as declarações e as provocações. É difícil explicar esse amor, um amor que espera e que supera, um amor que transcende o tempo e que só se fortalece. Um amor que compreende sem que palavra alguma precise ser dita. Um amor que faz bem, que ilumina, que é vivo; que me encanta mais e mais, sempre mais! Diana, sua vadia, até que amo você!!!

5 corações 5 Estrelas

o resgate no mar capa

Minha coleção na edição da Ed. Rocco ❤

 

Sinopse: O resgate no mar – Parte 1 – Há vinte anos Claire Randall voltou no tempo e encontrou o amor da sua vida – Jamie Fraser, um escocês do século XVIII. Mas, desde que voltara à sua própria época, ela pensava que ele tinha sido morto na Batalha de Culloden. Agora, em 1968, que seu amado pode estar vivo. A memória do guerreiro escocês não a abandona… seu corpo e sua alma chamam por ele em seus sonhos. Claire terá que fazer uma escolha: voltar para Jamie ou ficar com Brianna, a filha dos dois?

Jamie, por sua vez, está perdido. Os ingleses se recusaram a matá-lo depois de sufocarem a revolta de que ele fazia parte. Longe de sua amada e em meio a um país devastado pela guerra e pela fome, o rapaz precisa retomar sua vida.

As intrigas ficam cada vez mais perigosas e, à medida, que tempo e espaço se misturam, Claire e Jamie têm que encontrar a força e a coragem necessárias para enfrentar o desconhecido. Nesta viagem audaciosa, será que eles vão conseguir se reencontrar?

O Resgate no Mar – Parte 2 – Desde que voltara ao futuro grávida de Brianna, Claire acreditava que Jamie tivesse morrido durante a Batalha de Culloden (séc. XVIII). Ele, entretanto, continuava vivo. Mas era praticamente impossível abandonar a filha para reencontrar o homem que ela conheceu e amou quase 200 anos atrás. Será que Claire deveria arriscar mais uma viagem no tempo para reunir-se a ele?

Reviving Izabel ‘O Retorno de Izabel’ (Na Companhia de Assassinos #2), J. A. Redmerski

Reviving Izabel #2

 

Autora: J. A. Redmerski
Suspense / Romance / Thriller
Editora: Kindle Edition
Páginas: 373
Ano: 2013
Série: Na Companhia de Assassinos – #2

Obs.: A edição brasileira já tem título, O Retorno de Izabel, e previsão de publicação para Julho 2015. Veja a capa brasileira no final da resenha. 

Essa resenha contém spoilers do livro 1, A Morte de Sarai, portanto, se ainda não o leu, melhor não continuar 😉


 

A Morte de Sarai termina com um final satisfatório, talvez não o mais romântico ou ideal, mas, ainda assim, satisfatório e verossímil. Todavia, admito que deixa o leitor curioso, querendo saber o que acontece dali em diante e terminamos correndo para o segundo livro com altas expectativas. Eis o problema! O primeiro livro é muito bom, me deixou tensa do começo ao fim, completamente presa e super ansiosa, no entanto, sua continuação é cheia de altos e baixos. Ora lhe prende, ora lhe entedia.

O Retorno de Izabel começa um tempo depois do término de A morte de Sarai, e vemos nossa protagonista com uma sede de vingança, querendo planejar e cometer um assassinato sozinha. Sozinha! Por mais que Sarai não tenha medo de matar ou morrer, é inexperiente e termina se metendo em encrenca, atraindo mais vilões do que poderia imaginar. Porém, isso também atrai de volta Victor, que terá que decidir se treina Sarai como ela deseja e permanece ao seu lado ou se a convence a viver uma vida normal. Niklas e Fredrik também reaparecem, mas não sabemos mais em quem confiar – se é que podemos confiar em alguém.

O começo da história me irritou um pouco, com uma Sarai mais imatura do que pude imaginar, fazendo algumas burradas que me tiraram do sério. A trama só volta a entrar nos eixos quando Victor reaparece, trazendo consigo Fredrik, um personagem instigante e cheio de mistérios.

Assim como no livro 1, a autora continua com uma narrativa que parece mais um roteiro de filme, embora aqui isso tenha me incomodado um pouco. Talvez eu não saiba bem apontar as diferenças, mas é como se aqui ela descrevesse demasiadamente os passos dos personagens. Descrições são interessantes, mas ações óbvias demais que não acrescentam muito devem ser bem mensuradas para não encher o livro desnecessariamente.

Talvez a autora tivesse concluído melhor a história de Victor e Sarai ‘Izabel’ se acrescentasse mais umas 100 páginas ao primeiro livro, e não criando um segundo volume. Há trechos bem repetitivos, muitos “diálogos internos”, como se a autora sentisse a necessidade de esmiuçar demais, explicar demais tudo para o leitor, supondo que ele ainda não tivesse entendido seu raciocínio – quando na verdade tudo já tinha ficado bem claro.

Até os 85% a leitura é ora empolgante, ora previsível e comum. É quando a autora, tcham ram!, enfim me surpreende!! Ufa! Daquele trecho em diante ela fez valer a leitura e me reconquistou. Sabe quando você está arriando na cadeira, sonolenta, quase fechando os olhos e de repente algo lhe desperta completamente? Yeah!

Não é tão fascinante quanto o primeiro, mas ainda assim é uma leitura que vale a pena e foge do trivial. Confesso que Sarai perdeu uns pontinhos e ficou atrás de Victor e Fredrik na minha lista de personagens favoritos, mas o saldo ainda foi positivo. Se lerei o próximo livro? Não tenho dúvida, afinal, é sobre ninguém menos que o misterioso Fredrik. Estou ansiosíssima! 😉

 

3.5 corações 3.5 Estrelas

 

Capa brasileira de Reviving Izabel - O Retorno de Izabel - que será publicado pela Suma de Letras ainda esse ano.

Capa brasileira de Reviving Izabel ‘O Retorno de Izabel’ – que será publicado pela Suma de Letras ainda esse ano.

 

  • Ordem de leitura:

#1 – A Morte de Sarai (Resenha aqui)

#2 – Reviving Izabel (a ser publicado no Brasil em Julho 2015)

#3 – The Swan & the Jackal

#4 – Seeds of Iniquity

#5 – The Black Wolf (ainda sem capa)

 

Sinopse – Reviving Izabel: Determined to live a dark life in the company of the assassin who freed her from bondage, Sarai sets out on her own to settle a score with an evil sadist. Unskilled and untrained in the art of killing, the events that unfold leave her hanging precariously on the edge of death when nothing goes as planned.

Sarai’s reckless choices send her on a path she knows she can never turn back from and so she presents Victor with an ultimatum: help her become more like him and give her a fighting chance, or she’ll do it alone no matter the consequences. Knowing that Sarai cannot become what she wants to be overnight, Victor begins to train her and inevitably their complicated relationship heats up.

As Arthur Hamburg’s right-hand man, Willem Stephens, closes in on his crusade to destroy Sarai, she is left with the crushing realization that she may have bitten off more than she can chew. But Sarai, taking on the new and improved role of Izabel Seyfried, still has a set of deadly skills of her own that will prove to be all she needs to secure her place beside Victor.

But there is one test that Izabel must face that has the potential to destroy everything she is working so hard to achieve. One final test that will not only make her question her decision to want this dangerous life, but will make her question everything she has come to trust about Victor Faust.