A voz do arqueiro (Archer’s Voice), Mia Sheridan

 

Autora: Mia Sheridan
Romance / New Adult
Editora: Arqueiro
Páginas: 338
Ano: 2015

 

Li Archer’s Voice ano passado quando foi lançado nos EUA e achei super fofo. Esse romance lindo, que será lançado em breve no Brasil sob o título A Voz do Arqueiro, não poderia ficar de fora do blog 😉 Segue a resenha tal qual a escrevi ao terminar a leitura:


Eu só li a sinopse desse livro após concluir sua leitura e, diferente de muitos de seus leitores, eu não havia lido Leo nem Stinger, portanto, não conhecia a autora. Os muitos comentários elogiosos no GoodReads acabaram chamando a minha atenção e tags como montanha-russa-de-sensações e melhor-livro-da-vida me deixaram mais que curiosa e cheia de expectativas.

A sinopse não faz jus. Ponto. Simples assim. Talvez palavra ou texto nenhum faça jus ao Archer, mas vou tentar expressar tudo o que senti e tudo o que eu queria ter sentido.

Bree era uma garota comum até sofrer um trauma e ficar desnorteada. Pensando em fugir daquela realidade por um tempo, pega a estrada e vai parar em uma cidadezinha do Maine, onde logo se depara com Archer Hale em uma situação um tanto embaraçosa, mas o que ela não sabe é que aquele rosto camuflado em uma barba cheia e longos cabelos, esconde uma pessoa ferida, isolada, solitária e desacreditada, que perdeu os pais em um acidente aos sete anos de idade e não fala nada desde então. Sim, o Archer é muito, mas muito machucado…

A empatia é imediata. Não há como não se apaixonar pelo Archer, não querer colocá-lo no colo e curar suas feridas. Não há como não querer ajudá-lo, abraçá-lo, querer vê-lo sorrir, acalentá-lo… Não há como não querer traçar suas feições e cicatrizes com a ponta dos dedos, tocá-lo, acariciar seus cabelos, beber de seus olhos… Não há como não amá-lo…

Archer passou a maior parte de sua vida escondido, como se fosse invisível para os moradores daquela pequena cidade, sentido-se culpado, como se não merecesse o carinho de ninguém…um estranho, um completo estranho que não se comunica, não reage nem interage.

Até que Bree aparece e o que lemos deixa nosso coração bem apertadinho. Esses dois personagens bem machucados fizeram meu peito doer e deixaram um nó na minha garganta durante todo o livro. Bree conseguirá trazer a vida de volta ao Archer?

A autora foi de uma sensibilidade incrível, em especial na primeira metade desse livro, nas descobertas do Archer. Ver aquele homem inocente e ingênuo se descobrir, se encontrar, querer ser melhor para a Bree, querer fazê-la feliz, querer amá-la, querer saber como amá-la, como tocá-la, é comovente, aquece a alma e me deixou com um sorriso bobo no rosto. Sem dúvida, Archer é um dos melhores personagens que já tive o prazer de ler. Sua pureza me encantou, me cativou. O sentimento que surge entre ele e a Bree é tão genuíno, tão sincero e intenso que ficamos desesperados para que tudo dê certo.

Can we kiss some more? he asked, his eyes shining with desire

(Tradução livre: “Podemos nos beijar um pouco mais? ele perguntou, seus olhos brilhando de desejo”) Só quem leu vai entender a intensidade dessa simples frase. Tão, tão inocente que dá vontade de se encaixar em seu abraço e não sair mais dali.

A autora foi bastante feliz em não levar adiante joguinhos e desentendimentos, que são tão óbvios que cansam. Sabe aquele tipo que você conta uma mentira para separar um casal e o casal sempre acredita no mentiroso? Argh, muito novelão, não gosto! Ela até os cria, mas não dá brecha alguma para que se desenvolvam, e a verdade é sempre a primeira a chegar. Pontos para a Sra. Sheridan!

Outro ponto alto é a pequena cidade e seus moradores. Eu estava quase fazendo as malas e indo morar perto daquele lago, para tomar um café na Maggie, ser vizinha da Anne e sorrir com as histórias da Melanie e da Liza. A autora realmente conseguiu me transportar para aquele cenário e, assim como Bree, eu não queria ir embora. Deixa-nos ver também que, mesmo cercado de pessoas bem intencionadas, de bom coração e que queriam ajudá-lo de alguma forma, Archer não recebeu esse amparo. Ajudar requer dedicação, requer tempo, e por melhor que fossem as intenções daqueles moradores, ninguém se dispôs a tentar. Talvez Mia Sheridan tenha deixado essa lição de que não adianta querer ajudar só em seu pensamento, não adianta supor que não vai conseguir nada porque ninguém o fez antes ou porque não há solução. Com amor, sempre há solução. Bree nos provou isso!

Devo dizer, porém, que quanto mais do final eu me aproximava, mais frustrada eu ficava, e não sei explicar o motivo. Talvez a primeira metade tenha sido tão brilhante que minhas expectativas foram crescendo sem freios e fiquei desejando mais… mas mais o quê? Não sei. Talvez, eu tenha esperado derramar as lágrimas que ficaram presas na garganta durante todo o livro. Talvez o tom demasiadamente melancólico da narrativa as tenha prendido fortemente no meu peito. Talvez tenha sido isso, eu queria que elas fluíssem, extrapolassem…e isso não aconteceu.

Não tenho dúvidas de que Archer vai ficar marcado para sempre em minha memória como aquele garotinho que se descobriu homem, um homem forte, batalhador e merecedor. Aquele homem que lutou pelo o amor e que foi transformado por ele. Bree…I Bree you! linda Bree, também tem um cantinho no meu coração, pois sem ela não há Archer, sem Archer não há Bree.

Apesar de eu ter achado o final um tantinho apressado, meio topificado, e o epílogo fraco se comparado ao espiral de sensações do livro, recomendo essa linda história de amor de olhos fechados. Archer, já sinto saudades… Espero que se encantem e se emocionem pela beleza dessas incríveis páginas.

…not all great acts of courage are obvious to those looking in from the outside. 

(“Nem todos os atos de coragem são óbvios àqueles que olham de fora” – tradução livre)

I want to be able to love you more than I fear losing you, and I don’t know how. Teach me, Bree. Please teach me. Don’t let me destroy this.

(Eu quero ser capaz de amar você mais do que temo lhe perder, e eu não sei como. Ensine-me, Bree. Por favor, me ensine. Não me deixe destruir isso. – tradução livre)

3 Estrelas 5 corações

Sinopse: A Voz do Arqueiro – Cada livro da coleção Signos do Amor é inspirado nas características de um signo do Zodíaco. Baseado na mitologia de Sagitário, A voz do arqueiro é uma história sobre o poder transformador do amor.

Bree Prescott quer deixar para trás seu passado de sofrimentos e precisa de um lugar para recomeçar. Quando chega à pequena Pelion, no estado do Maine, ela se encanta pela cidade e decide ficar.

Logo seu caminho se cruza com o de Archer Hale, um rapaz mudo, de olhos profundos e músculos bem definidos, que se esconde atrás de uma aparência selvagem e parece invisível para todos do lugar. Intrigada pelo jovem, Bree se empenha em romper seu mundo de silêncio para descobrir quem ele é e que mistérios esconde.

Alternando o ponto de vista dos dois personagens, Mia Sheridan fala de um amor que incendeia e transforma vidas. De um lado, a história de uma
mulher presa à lembrança de uma noite terrível. Do outro, a trajetória de
um homem que convive silenciosamente com uma ferida profunda.

Archer pode ser a chave para a libertação de Bree e ela, a mulher que o ajudará a encontrar a própria voz. Juntos, os dois lutam para esquecer as marcas da violência e compreender muito mais do que as palavras poderiam expressar.

A Velocidade da Luz, Javier Cercas

a velocidade da luz javier cercas
Autor: Javier Cercas
Drama / literatura espanhola
Editora: Biblioteca Azul
Páginas: 248
Ano: 2013

 

Quando Tatiana Feltrin disse que A Velocidade da Luz foi um dos melhores livros que ela leu em 2013, não hesitei. Confiando no gosto da vlogueira, comecei a leitura às cegas, sem ter lido sinopse ou sequer alguma resenha e, portanto, não tinha ideia do que me aguardava.

A Velocidade da Luz conta a história de um espanhol aspirante a escritor – o narrador, que sonha em escrever um livro, e Rodney Falk, um americano veterano da guerra do Vietnã. O narrador deixa a Espanha para lecionar língua espanhola em uma universidade em Urbana, no estado americano do Illinois, onde faz uma amizade estrita com o ex-combatente. Em posse das cartas que Rodney enviara ao pai durante a guerra, o narrador tentará compreender o que de fato aconteceu e escrever a história do amigo.

Ao passo que o autor discorre sobre as dificuldades de se narrar uma história, tenta entender o ex-combatente e toda a bagagem que se traz de uma guerra. É uma história de glória e declínio. De degradação, de bebedeira e traição, de fracasso – e das consequências disso nas amizades e na família.

Não tenho como falar pelos que leram a sinopse, mas, para mim, a história é intrigante e completamente imprevisível. Lá pela página 80 eu ainda não tinha ideia do que viria, nem ao menos conseguia enumerar algumas possibilidades. O livro é cheio de citações que tocam o leitor, mas não do tipo “bonitinhas”. Não. São verdades crudelíssimas sobre o comportamento humano, nem sempre admitidas.

Há os que consideram boa parte desse livro como autobiográfica, pois a história do narrador assemelha-se consideravelmente com a do autor, seus livros, sua cidade natal, seu estilo de vida e o período em que lecionou em Urbana, onde, de fato, conheceu um veterano de guerra.

A escrita mantém um padrão elevadíssimo e faz a leitura fluir muito bem. O autor vai e volta no tempo com destreza, dentro do mesmo capítulo e, muitas vezes, no mesmo parágrafo. Gostei do que li, mas devo admitir que não é meu “tipo” de livro. É sério demais – mas não me entendam mal, não que eu não goste de histórias sérias, pois gosto, mas aqui é tudo muito cru, duro, sem floreios, sem cor, meio deprimente. É sério, mas não emociona. É sentimental, mas não comove. Não a ponto de ser meu-tipo-favorito-de-livro, de me encantar. Talvez seja daqui a uns 15 ou 20 anos, mas não hoje. Porém, não posso negar que se trata de um excelente autor e um digno livro.

2 corações 5 Estrelas

a velocidade da luz capa

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Sinopse: Embaralhando ficção e realidade – os dados biográficos do narrador do romance coincidem em grande parte com os do autor –, Cercas agarra à unha aqui o tema da solidão do escritor diante do caos irredimível do mundo. Como encontrar uma voz própria em meio a essa algaravia? Como enunciar algo que não acrescente simplesmente ruído ao ruído?
O enredo de A velocidade da luz, grosso modo, é a relação entre um escritor espanhol e um veterano norte-americano da guerra do Vietnã, Rodney Falk, que ele conheceu na Universidade de Urbana, uma cidadezinha próxima a Chicago. Com base em suas lembranças de Falk e nas cartas que este mandava do front ao pai, o escritor/narrador pretende entender os enigmas do amigo americano e produzir um livro a respeito.
Assim como em Soldados de Salamina, a história narrada é também uma discussão sobre a tentativa de narrá-la. Como quem monta um quebra-cabeças infernal, o narrador busca reconstituir a trajetória de um homem dilacerado pelos horrores da guerra para dar a ela algum sentido. A tarefa, desde logo, é impossível, mas, como se diz a certa altura do romance, só merecem ser contadas as histórias que não se pode contar.
Com espantoso domínio literário, entrelaçando com maestria a ação e a reflexão, Cercas nos conduz do interior da Catalunha ao interior de Illinois, de Barcelona a aldeias vietnamitas, saltando as décadas para a frente e para trás, sempre fazendo de conta que ainda está à procura da melhor maneira de dizer o que tem a dizer. O resultado é um livro fascinante e perturbador, em que a arte de narrar encontra ao mesmo tempo seu questionamento mais agudo e sua mais alta expressão.

O Voo da Libélula, Michel Bussi

O Voo da Libélula

 

 

Autor: Michel Bussi
Suspense / Drama
Editora: Arqueiro
Páginas: 400
Ano: 2015

 

O Voo da Libélula tem uma capa bonita, um título interessante, uma excelente sinopse, ótimas críticas e recomendações e, com isso, a promessa de uma leitura maravilhosa. E foi! Eu só não imaginava que estava diante de uma história tão envolvente.

Esse livro conta a história da pequena sobrevivente, um bebê de 3 meses, da queda de um avião, em 1980, na fronteira entre a França e a Suíça. O grande problema é que haviam dois bebês naquele voo, da mesma idade e com características semelhantes. Duas meninas, Lyse-Rose e Émilie. Em uma época em os exames de DNA ainda não existiam, duas famílias – uma pobre e uma rica – aparecem para brigar pela criança.

Diante de tantas incertezas, uma dessas famílias contrata um detetive particular, Crédule Gran-Duc, para tentar desvendar o caso. Por 18 anos, ele esteve mergulhado naquela história, tentando desvendar o mistério daquele voo, tentando descobrir se Lylie era Lyse-Rose ou Émilie, sem sucesso. Ele resolve se suicidar, mas antes escreve um diário, uma espécie de resumo de toda sua investigação, e o entrega para Lylie. Prestes a apertar o gatilho da arma que tiraria sua vida, Crédule Gran-Duc vê diante de seus olhos a solução que não enxergou em todos aqueles anos.

O autor começa sua história nos sensibilizando com o trágico acidente e o desespero daquelas famílias. Esse vai e vem de notícia triste, alegre, triste, com as duas famílias perdendo seus entes queridos, depois recebendo a notícia de que a bebê estava viva e, logo em seguida, descobrindo que ela pode estar realmente morta, me deixou aflita, um pouco angustiada e completamente imersa na trama.

A partir daí começa um suspense que me fez virar página após página, curiosa, tensa, sem querer parar. Ficamos nos perguntando se as evidências são o que parecem ou se o autor está apenas nos manipulando.

A história – no presente (no caso, 1998) – é contada em 3ª pessoa e nela acompanhamos Marc, suposto irmão de Lylie, ler o diário que recebeu. Esse diário é, na verdade, a maior parte do livro, onde conhecemos a vida das duas famílias envolvidas, nos 18 anos que se passaram após o acidente.

A escrita do diário é feita em 1ª pessoa, e ele é uma das ressalvas que tenho em relação a O Voo da Libélula. Demorei a me acostumar com seu tom, pois em alguns trechos parecia que o detetive falava comigo, no ano de 2015, e não com os personagens de 1998. Lentamente ele foi me convencendo de que não haviam tantas inconsistências assim, mas o incômodo permaneceu, especialmente quando repetia frases como “não tenha pressa, ainda vou chegar a esse assunto”. Achei isso bem desnecessário e, como ele ia e voltava no mesmo assunto, algumas partes ficaram repetitivas.

Apesar disso, gostei bastante do que li. Os dois personagens principais, Marc e Lylie, são adoráveis e bem construídos. O enredo nos traz algumas reviravoltas simples, mas boas. Ora achamos que sabemos de tudo, que o autor já entregou o jogo, ora percebemos que ele recolhe as cartas e que na verdade não nos contou ainda quase nada.

Fiquei esperando um final surpreendente, complexo, uma trama cheia de pontos, mas não foi bem o que aconteceu. Ele é bem simples, mas nem por isso ruim. Gostei do desfecho, do drama que se seguiu, da mistura do triste e melancólico com o bonito e esperançoso. Gostei de como me senti ao término na leitura, da boa sensação de ter estado e me envolvido com aquela criança que cresceu sem saber quem era, apreensiva, atormentada pelas incertezas, mas que se viu forte e cheia de esperança de dias melhores. Um bom livro, certamente.

4 corações 3.5 Estrelas


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Sinopse: O Voo da Libélula – Agraciado com 4 prêmios na França, entre os quais o Prix Maison de la Presse e o Prix du Roman Populaire, O voo da libélula teve seus direitos vendidos para 25 países e ganhará uma adaptação cinematográfica.

Na noite de 23 de dezembro de 1980, um avião cai na fronteira entre a França e a Suíça, deixando apenas uma sobrevivente: uma bebê de 3 meses. Porém, havia duas meninas no voo, e cria-se o embate entre duas famílias, uma rica e uma pobre, pelo reconhecimento da paternidade.

Numa época em que não existiam exames de DNA, o julgamento estende-se por muito tempo, mobilizando todo o país. Seria a menina Lyse-Rose ou Émilie? Mesmo após o veredicto do tribunal, ainda pairam muitas dúvidas sobre o caso, e uma das famílias resolve contratar Crédule Grand-Duc, um detetive particular, para descobrir a verdade.

Dezoito anos depois, destroçado pelo fracasso e no limite entre a loucura e a lucidez, Grand-Duc envia o diário das investigações para a sobrevivente Lylie e decide tirar a própria vida. No momento em que vai puxar o gatilho, o detetive descobre um segredo que muda tudo. Porém, antes que possa revelar a solução do caso, ele é assassinado.

Após ler o diário, Lylie fica transtornada e desaparece, deixando o caderno com seu irmão, que precisará usar toda a sua inteligência para resolver um mistério cheio de camadas e reviravoltas.

Em O voo da libélula, o leitor é guiado pela escrita do detetive enquanto acompanha a angustiada busca de uma garota por sua identidade.

O Velho e o Mar, Ernest Hemingway

o velho e o mar
Autor: Ernest Hemingway

Clássico Moderno / Lit. Americana /
Nobel / 1001 Livros

Editora: Bertrand Brasil

Página: 126

Ano: 2005

Publicação Original: 1952

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O Velho e o Mar é daqueles livros que você se questiona o porquê de não ter lido antes. Hemingway é tão fantástico que conquista até leitores como eu, mais inclinados a uma escrita cheia de adjetivação. É incrível como consegue nos transportar àquele cenário, mesmo com a escrita “seca”, concisa e sem floreios que lhe é peculiar.

O velho e o mar é o segundo livro que leio do autor, e nele, mais do que no primeiro, é possível perceber a importância de Hemingway para a literatura moderna e o quanto essa quebra de tradições clássicas significou para o meio literário. Seja nas artes, na arquitetura ou na literatura, romper um estilo e estabelecer novos parâmetros não é uma tarefa fácil e Hemingway o fez com genialidade, e só aqui compreendi o porquê de ter merecido um Nobel.

O autor conta a história de um velho pescador, Santiago, que mesmo muito experiente está há 84 dias sem conseguir pescar nada. Com o incentivo do jovem amigo Manolin, resolve encarar mais um dia no mar. E é essa ida solitária em busca de algum peixe que acompanhamos, não só como leitores, mas principalmente como espectadores.

Deixa-nos tantas mensagens e são tantas metáforas que acredito que a cada releitura uma nova interpretação seja captada. Fala sobre a vida e toda a experiência que você acumula nela; fala de amizade, reconhecimento e carinho; e do conhecimento passado de geração em geração. É bonito de se ver a admiração, o respeito e a gratidão que o jovem Manolin tem por aquele experiente velhinho que lhe ensinara a pescar.

Sim, fala de velhice e de orgulho. E é incrível como, em tão poucas páginas, Hemingway consegue fazer um retrato tão realístico e triste do homem que envelhece, do homem que mesmo experiente e cheio de conhecimento se vê, de certa forma, impotente, uma vez que suas condições físicas já não são as mesmas. Mostra-nos o quão importante era para ele conseguir a façanha de “domar” aquele peixe enorme, muito mais por orgulho do que pela fome ou dinheiro. Fala de determinação, da sua luta incansável de ir até o fim, e, novamente, do orgulho que não lhe permitia desistir.

A beleza está na simplicidade, se o leitor esperar qualquer rebuscamento irá se decepcionar. É impressionante como, mesmo com tanta frugalidade, essa estória me encantou e me emocionou. E mais ainda, como me deixou triste.

Um clássico para todas as idades, para se ler e se reler. Recomendo, sem dúvida alguma.

5 Estrelas

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* Está na lista dos “1001 livros para ler antes de morrer”, de Peter Boxall (Clique aqui para ver mais resenhas da lista)

** Autor ganhador do Prêmio Nobel de Literatura de 1954 (Clique aqui para ver mais resenhas de vencedores de Nobel)

Sinopse: Essa é a história de um homem que convive com a solidão do alto-mar, com seus sonhos e pensamentos, sua luta pela sobrevivência e sua inabalável confiança na vida. Esse é o fio do enredo – fio tenso como o que prende na ponta da linha o grande peixe que acaba de ser pescado – com o qual Hemingway arma uma das mais belas obras da literatura contemporânea. Há 84 dias que Santiago, um velho pescador, não apanhava um único peixe. Por isso já diziam se tratar de um salao, ou seja, um azarento da pior espécie. Mas Santiago possui têmpera de aço, acredita em si mesmo, e parte sozinho para o mar alto, munido da certeza de que, desta vez, será bem-sucedido no seu trabalho.

A Viajante do Tempo (Outlander #1), Diana Gabaldon

a viajante do tempo novo

 

 

AUTORA: DIANA GABALDON
ROMANCE HISTÓRICO
EDITORA: SAÍDA DE EMERGÊNCIA
PÁGINAS: 800
ANO: 2014

 

Lá estava eu, me sentindo “órfã” após o término de uma trilogia incrível e arruinada para qualquer história que não fosse, oh!, tão magnífica quanto aquela! Lia uns e outros e, mesmo gostando, sentia falta de algo grandioso. Um belo dia, não tão belo assim rs, pois esse livro foi dificílimo de encontrar (na época a ed. SdE ainda não tinha começado a relançar a série, então minha edição é da Rocco comprada em sebo) resolvi escutar as recomendações de umas amigas e ver o que de tão bom tinha em Outlander. Tudo que eu sabia era que a moça caía 200 anos no tempo, nada mais.

Primeira página: Inverness. Ponto. Ganhou-me! Se você é alucinada pela Escócia como eu, vai enlouquecer. Se não é, vai ficar.

A inglesa Claire, enfermeira durante da II Guerra Mundial, casou-se com Frank Randall, um professor universitário fascinado por História e por seus antepassados, pouco antes do início da Guerra, que logo os separou. Após a guerra, novamente reunidos, seguiram para Inverness – norte da Escócia. Lá, Claire vê uma cena esdrúxula e um tanto mística em Craigh na Dun – uma espécie de Stonehenge fictícia, um círculo de pedras misterioso – e resolve retornar ao local para ver se poderia encontrar algo por lá que explicasse tal cena. E é aí que tudo começa.

Claire passa por uma pedra, como uma fenda no tempo, e surge cerca de 200 anos antes, em 1743, no mesmo local, com as mesmas roupas que usava. Os homens das Highlands que a encontram não entendem quem é aquela mulher. Uma prostituta? Uma espiã? Uma bruxa? Na dúvida, levam Claire até que descubram quem ela realmente é. Eis que surge Jamie, e se seu coração pulsa e você precisa de ar para viver, anote minhas palavras: você vai cair de amores por Jamie, muito! E você vai sofrer por ele, tanto, tanto…

Para os mais avessos à fantasia, asseguro-lhes que a única parte que caracterizaria essa história como tal é a “queda” no tempo e nada mais. Todos os personagens são plausíveis e suas atitudes completamente condizentes com a época e o local. A autora mistura mitos da região, contos, religião, medicina, crenças, batalhas, brigas, amor e ódio… Nos transporta para uma época em que a tortura e o abuso eram rotineiros e os homens, uma espécie de brutamontes. As mulheres que conheciam ervas e misturas que curavam eram confundidas com bruxas e queimadas em praça pública ou condenadas à forca, atraindo curiosos que aplaudiam fervorosamente.

Se eu fizer uma analogia entre o livro e um castigo, eu diria que a autora começa com uma palmadinha, passa para um tapa, um soco, uma surra, até que, no final, açoita e deixa tudo em carne viva. Então, não se enganem com o início leve e divertido dessa história, pois certamente não é para os mais frágeis. Os capítulos finais são de uma dureza que eu jamais tinha experimentado em um livro. Aquilo doeu em mim, lá dentro, dilacerou meu coração, corroeu tudo que podia, esgaçou cada pedacinho do meu peito. Fechei e reabri o livro infinitas vezes, e quando parecia que a ferida ia cicatrizar, a autora vinha e botava o dedo, fazendo todo o sangue jorrar novamente. Por mais que eu tentasse – e eu tentei, ó, como tentei – não visualizar a cena, ela estava lá, a cada fechar de olhos, a cada pulsar, na minha cabeça. Oh, doce Jamie! O que eu faria por você?

Vi alguns poucos comentários na Amazon falando do “absurdo” de um certo castigo que ocorre lá pela metade do livro, que as pessoas não deviam admitir isso e bla-bla-bla. Que parte perderam da leitura? Certamente a de que a história se desenrola em meados do século XVIII, em plena região das Highlands escocesas! Se nos dias de hoje a lenda – mesmo contada como lenda – do monstro do Lago Ness ainda sobrevive e é um dos principais atrativos da cidade, imagine o que não era aquela região em 1700!

Apesar das torturas, boa parte dessa história é alegre e até engraçada. A maneira como os personagens principais se provocam nos mais inusitados momentos levaram algumas boas risadas minhas. Além disso, a excelente caracterização da época, dos costumes locais, da tradição dos kilts, da relação entre pai e filho e entre marido e mulher, da arquitetura e da natureza, as brigas entre os clãs, entre ingleses e escoceses, foram um deleite e um aprendizado à parte. A escrita é outro ponto alto, sempre envolvente e elegante, cativa o leitor desde as primeiríssimas páginas.

É uma bela história de amor entre duas pessoas de épocas tão diferentes, mas que encontram um no outro tudo o que precisam. Um é a base, o outro a estrutura. É daqueles amores assim, difícil de esquecer, que marca, que permanece, que dá saudades, que te prende. É daqueles amores inquebrantáveis, sólidos, raros, que abdica… Jamie e Claire, um herói e sua heroína, no mínimo, fascinantes.

5 corações 5 Estrelas

favoritos

 

A série está sendo relançada pela editora Saída de Emergência. Os dois primeiros livros já estão disponíveis. Os da Rocco, só em sebo e se você tiver muita sorte 😉

a viajante do tempo 3

Minha edição, ainda da editora Rocco ❤ ❤ ❤

Minha coleção <3

Minha coleção ❤ Em destaque o livro #2, A Libélula no âmbar, o mais difícil de encontrar na época 😉

 

 

A vida do livreiro A.J.Fikry, Gabrielle Zevin

a vida do livreiro ajfikry

 

Autora: Gabrielle Zevin
Ficção Realística / Livros sobre Livros
Editora: Paralela
Páginas: 192
Ano: 2014

 

Saiu hoje o resultado do Goodreads Choice Awards 2014, com os livros vencedores de cada categoria na importante votação popular que acontece uma vez por ano no GR. Na categoria Ficção, A vida do livreiro A.J. Fikry ficou com o 3° lugar.

A vida do livreiro A.J. Fikry chamou a minha atenção justamente pela palavrinha mágica livreiro. É natural que as pessoas que gostam de ler se interessem por livros que falam de livros, e aí minha imaginação já entra em parafuso e começo a ver magia para tudo quanto é lado, começo a imaginar uma bela livraria, uma pequena cidade e muitos leitores apaixonados. Bem, não é por aí que esse livro se desenrola, ele é realístico e pé no chão.

A.J. Fikry é o dono da única livraria de Alice Island, a Island Books, e está amargurado, de mal com a vida, sofrendo pela morte de sua mulher. As vendas vão mal e A.J. não se importa muito, continua rabugento. Até que um certo dia encontra algo no chão de sua livraria que vai mudar sua vida e fazer com ele se abra para a possibilidade de amar novamente.

A história é daquelas completamente plausíveis, daquelas que você até relaciona os personagens com pessoas que você conhece de tão real e corriqueira que ela é. Não tem firulas, enfeites e confetes. Não tem grandes mistérios, reviravoltas, amores arrebatadores nem nada. Ela é simples e é aí que está sua beleza.

A.J. é um personagem que você aprende a gostar ao longo do livro. Adorei o cinismo que a autora imprimiu no seu gosto literário e a maneira que ele se orgulha em criar Maya para ser uma nerdMaya é, para mim, a personagem central e me conquistou completamente com sua fofura e esperteza. Amelia também tem seu charme, tem uma paixão especial pelo que faz e uma simplicidade e carisma que envolvem o leitor.

Dos secundários, Ismay não me cativou, mas Lambaise é tão, mas tão típico que não tem como não simpatizar com ele. É aquele delegado que, bem, não lia, mas que de tanto aparecer na livraria e ter que comprar livro por um certo motivo, passa a lê-los para não desperdiçar o dinheiro gasto. Claro, encontra seu gênero literário favorito (ou se encontra nele) e passa a ser um leitor voraz. Daniel Parrish, apesar de não ser envolvente (e nem era a intenção da autora, talvez), é muito bem construído e tem um certo clichê, acredito eu, inerente a muitos escritores.

A escrita é…digamos…esquisita, mas não em um mau sentido. É difícil explicar, pois ao passo que me diverti bastante também achei um pouco…marcada demais. Não é que seja ruim, só não é comum, é como se fosse pausada. Boa, gostosa, mas, ao mesmo tempo, um pouco seca.

A edição brasileira tem alguns erros de revisão bem grosseiros, nada que atrapalhe demais a leitura – mas sentimos falta do capricho, não é verdade?

No geral, A vida do livreiro A.J. Fikry é uma leitura agradabilíssima, incrivelmente realística e um tanto divertida. É daquelas histórias para se ler em uma sentada, em um domingo à tarde, comendo pipoca. Tem um quê de tristeza, mas tudo é colocado de uma forma bem natural e bonita, demonstrando que a vida segue seu caminho, seu ciclo, que ela se renova e continua. Não superou minhas altas expectativas, mas, sem dúvidas, recomendo para todos aqueles que amam livros que falam de livros.

3.5 corações

4 Estrelas

a vida do livreiro

Sinopse: Uma carta de amor para o mundo dos livros “Livrarias atraem o tipo certo de gente”. É o que descobre A. J. Fikry, dono de uma pequena livraria em Alice Island. O slogan da sua loja é “Nenhum homem é uma ilha; Cada livro é um mundo”. Apesar disso, A. J. se sente sozinho, tudo em sua vida parece ter dado errado. Até que um pacote misterioso aparece na livraria. A entrega inesperada faz A. J. Fikry rever seus objetivos e se perguntar se é possível começar de novo. Aos poucos, A. J. reencontra a felicidade e sua livraria volta a alegrar a pequena Alice Island. Um romance engraçado, delicado e comovente, que lembra a todos por que adoramos ler e por que nos apaixonamos.