As Peças Infernais (Anjo Mecânico, Príncipe Mecânico, Princesa Mecânica), Cassandra Clare

Anjo Mecânico – As Peças Infernais #1

anjo mecanico cassandra clare

 

Autora: Cassandra Clare
Fantasia / Young Adult
Editora: Galera Record
Páginas: 392
Ano: 2012

 

Resenhado em 2013, lido em inglês – nível semi-avançado – 4/5

Há algum tempo quero ler os livros da Cassandra Clare, mas temia ler mais do mesmo e cansar do mundo sobrenatural e fantasioso – um pouco do que aconteceu com as distopias. Quão errada estava eu! Se você tem os mesmos receios, não os tenha! Anjo Mecânico é superior a tudo que já li do estilo.

Esse é o primeiro livro da série As Peças Infernais, que se passa no mesmo mundo de Os Instrumentos Mortais, porém muitíssimos anos antes, na Londres vitoriana de 1878. Diferente da maioria dos leitores, não li nenhum livro da série Os Instrumentos Mortais (hoje já li rs), então não tenho como opinar por qual série a leitura deve ser iniciada.

Anjo Mecânico começa a contar a história de Tessa, uma novaiorquina que acaba de se mudar para Londres atendendo a um chamado de seu irmão Nathaniel. Tessa vai se ver presa pelas Dark Sisters, sem saber nenhuma notícia do seu irmão e cheia de poderes antes desconhecidos. Na busca por Nathaniel, ela descobre que tem um dom raro e passa a conhecer um mundo novo, cercado de seres do submundo e de caçadores de sombras, cercado de mistérios e magia, de amigos e inimigos. Nessa procura conhece, dentre outros, Jem e Will, amigos inseparáveis, nefilins, que tentarão, cada um a sua maneira, proteger a inocente Tessa.

Não é só um livro sobre vampiros, nefilins e bruxos. É muito mais. É sobre mistérios e segredos. Sobre mundos e submundos. Sobre anjos e demônios. O mundo que a Clare criou é surpreendente e espetacular. Diria que é mais um livro de fantasia do que de seres sobrenaturais. Somado a isso, ponha uma Londres da era vitoriana meio sombria, ricamente apresentada. Quer mais? Tem mais. Um triângulo amoroso começa a ser embasado de uma maneira singular, singela e original – ou o quão original um triângulo amoroso pode ser. E, apesar de não ser o foco principal da trama, ele vai ditar muitas das atitudes e dos fatos que ocorrem.

A escrita. O que falar da escrita de Cassandra Clare? Estupenda! O desenvolvimento do enredo é perfeito, a qualidade descritiva é muito boa e os personagens são contagiantes, fortes e carismáticos.

A autora fez de uma história juvenil, um livro para ser lido por jovens de qualquer idade, tenha ele dez ou cem anos. Fez do comum, um mundo encantador que nos tira do chão e nos faz virar página atrás de página, incessantemente. Entrou para o rol dos meus autores favoritos, sem pestanejar. Muitas estrelinhas e muita sede pelo próximo livro, Príncipe Mecânico.

4.5 Estrelas 4.5 corações

Príncipe Mecânico – As Peças Infernais #2

principe mecanico cassandra clare

AUTORA: CASSANDRA CLARE
FANTASIA / YOUNG ADULT
EDITORA: GALERA RECORD
PÁGINAS: 406
ANO: 2013

Resenhado em 2013, lido em inglês – nível semi-avançado – 4/5. Pode conter spoilers do livro anterior.

Como comentar um livro tão fantástico – em todos os sentidos – como esse? A euforia em torno dessa série era tão grande que fui convencida a lê-la e ao terminar o primeiro livro pensei ter entendido o motivo de tamanha fama, afinal o mundo criado pela autora é, de fato, fascinante e facilmente se destaca no meio de tantos livros do gênero. Mas foi na leitura de Príncipe Mecânico que eu fiquei atônica, sem ar e sem palavras.

Em Príncipe Mecânico temos a capacidade de Charlotte em comandar o Instituto de Londres posta à prova pelos Lightwoods, que dão um prazo para que ela encontre o temido Mortmain. Se Charlotte perder a posição de chefia, Tessa certamente não terá para onde ir e, por esse e outros motivos, todos no Instituto vão se empenhar ao máximo para provar que Charlotte é capaz, sim, de continuar no cargo. E é em torno dessa busca por Mortmain que os fatos acontecem.

No desenrolar da história, o triângulo amoroso, antes leve e juvenil, ganha destaque e profundidade e, se posso afirmar algo com veemência, é que ele vai partir seu coração em dois. Sempre que li histórias envolvendo três pessoas, tive minha preferência por um dos personagens facilmente escolhida e torcia para que a autora “desse um jeito” de encontrar um novo amor para a terceira pessoa e, pronto, estava tudo resolvido. No entanto, em As Peças Infernais, lhes digo, não há como escolher entre Will e Jem. Simplesmente não há! Esse deve ser o triângulo amoroso mais angustiante de toda a literatura juvenil e o mais bem construído também. Não tenho ideia de como Cassandra Clare vai desatar esse nó, pois seja qual for sua escolha, vai dilacerar o que sobrou de nós. E, Cassandra, se você matar o Jem…

Além do mundo de fantasia fascinante criado, o fato de a história se desenrolar em Londres, no ano de 1878, só me fez gostar ainda mais dessa trilogia, pois por vezes sentimos como se estivéssemos lendo algum clássico inglês, com linguajar mais formal, trajes e costumes condizentes com a época, ruas sombrias e carruagens. Toda a magia de uma era se une à fantasia dos personagens de forma que encanta e vicia.

Tessa: Se tornou uma das minhas personagens femininas preferidas. Ela é forte, carismática e prestativa, e suas atitudes e pensamentos são sempre condizentes com o perfil e caráter que lhe foi dado pela autora.

Will: Um garoto lindo, de fazer suspirar e delirar, mas que carrega uma maldição que o faz afastar todos que dele se aproximam. Como não amar um Will que, por trás de uma fachada de pedra, faz de tudo pelos amigos?

Jem: Um coração doce, do mais açucarado que você possa imaginar, mas que está morrendo lentamente, viciado em uma droga que ao passo que lhe tira a vida, também lhe mantém nela.

A amizade parabatai entre Will e Jem só poderia existir na ficção de tão utópica que é. Parte fundamental de toda a trama, ela acalenta – e nos destrói em um determinado momento.

Jessa: Sobre Miss Lovelace só digo uma coisa: vai lhe dar ainda mais raiva do que no primeiro livro.

Henry e Charlotte: O casal na liderança do Instituto que não teve tanto minha simpatia em Anjo Mecânico (não que não tenha gostado!), me ganhou e conquistou um lugarzinho só deles. Henry, vibrei com você! Rs

Todos os personagens, vilões ou mocinhos, são marcantes e muito bem desenvolvidos. Toda ação é precisa, bem embasada e estruturada de forma brilhante. Eu diria que a autora variou de surpreendente a incrível, de perfeito a mais que perfeito, de glorioso a estupendo. Se você ainda não leu porque não gosta de fantasia, bruxos ou qualquer coisa do tipo, vale a pena experimentar essa série e deixar que ela lhe agarre com unhas e dentes. Se dela não gostar, desista, você definitivamente não gosta de fantasia.

5 Estrelas 5 corações

 

Princesa Mecânica – As Peças Infernais #3

princesa mecanica cassandra clare
AUTORA: CASSANDRA CLARE
FANTASIA / YOUNG ADULT
EDITORA: GALERA RECORD
PÁGINAS: 434
ANO: 2013

Resenhado em 2013, lido em inglês – nível semi-avançado – 4/5. Pode conter spoilers dos livros anteriores.

E Cassandra Clare desatou o nó…

No segundo livro da série As Peças Infernais pensei em todas as possibilidades que a autora teria para desatar o nó que criou com o triângulo amoroso e nenhuma parecia aceitável, todas já doíam no peito antes mesmo de acontecerem. Jem morreria para que Tessa pudesse ficar com Will? Will deixaria que seu parabatai fosse feliz com sua amada Tessa? De qualquer forma teríamos ou o coração de um ou do outro partido – e consequentemente o nosso também se despedaçaria, não?

Princesa Mecânica se desenrola em torno da tentativa de destruir o exército mecânico criado por Mortmain e de descobrir suas verdadeiras intenções. Além disso, o consul, se sentindo ameaçado e desobedecido por uma mulher, tenta tirar o poder das mãos de Charlotte, que o alerta de todas as formas sobre As Peças Infernais de Mortmain. No meio de toda essa “guerra” ainda temos o turbilhão de emoções entre o trio Tessa, Jem e Will. Jem está a cada dia mais debilitado e Will cada vez mais disposto a ajudá-lo. Entre eles, uma Tessa dividida igualmente entre dois amores.

Se nos dois primeiros livros o foco é o trio principal, no terceiro volume os personagens Cecily, Sophie, Gideon, Gabriel, Charlotte, Henry e Magnus Bane são tão importantes quanto e tem suas vidas abertas para o leitor. Finalmente descobrimos a origem de Tessa, quem e o que ela é, e fiquei encantada acompanhando o raciocínio da autora.

Reafirmo o que disse sobre os livros anteriores: a escrita um pouco mais formal e o cenário de uma Londres vitoriana é mais que um deleite. Eu diria que a característica principal da série é a emoção, apesar de a ação e o mistério serem partes igualmente importantes. Os laços entre os personagens são tão fortes que superam os laços sanguíneos, e ver essa amizade madura e incondicional encanta e enche nossos olhos. O desprendimento e o amor imensurável aquece as entrelinhas de uma história pra lá de fantástica, que certamente deixa um vazio em que a lê.

Epílogo Ah, o epílogo! Sem palavras para descrevê-lo… Chorei as lágrimas que não caíram durante toda a série, me derramei sem parar até fechar o livro e colocá-lo de volta na linda jacket que o acompanha. Perfeito…devastador, alegre, angustiante, feliz, triste…perfeito!

5 Estrelas5 coraçõesfavoritos

as peças infernais

The Infernal Devices – Dos livros mais lindos da minha estante ❤

Mentirosos, E. Lockhart

MENTIROSOS
Autora: E. Lockhart
Young Adult/ Drama / Mistério
Editora: Seguinte
Páginas: 272
Ano: 2014

 

Mentirosos foi o livro vencedor do GoodReads Choice 2014, uma premiação popular da maior rede social de leitores do mundo, na categoria Young Adult. Foi assunto do momento alguns meses atrás nos grupos de leitura, os comentários sempre incluíam palavras como surpreendente e inesperado, e apesar de ter ficado curiosa, só agora resolvi tirá-lo da pilha de livros para ler.

Sim, é inesperado, tem seu quê de originalidade, é um tantinho surpreendente, mas, talvez pela alta expectativa, deixou um pouco a desejar.

Mentirosos conta a história de 4 melhores amigos: Cadence, primeira neta e provável herdeira dos Sinclair, Johnny e Mirren, seus primos, e Gat, um amigo. Juntos, eles, os mentirosos, passam as férias de verão na propriedade dos Sinclair, uma família rica e tradicional, que não permite erros e não admite falha, cujos membros vivem em uma briga mascarada por uma maldita herança. Em um dos verões, Cadence sofre um estranho acidente que lhe deixa com amnésia e fortes dores de cabeça. Ela não se lembra do que aconteceu naquele dia, e todos se recusam a lhe dizer qualquer informação, já que foi recomendado que ela se recorde sozinha, aos poucos. Por que?

Comecei a leitura sem saber muito o que esperar. Sabia apenas que tinha um final um tanto chocante, então já fui preparada para alguma surpresa.

A proposta do livro é bem interessante, a estrutura da narrativa é muito boa e a escrita é agradável. É narrado em primeira pessoa pela Cadence e tem um tom que me deixou encasquetada durante toda a leitura tentando entender o que era aquilo, procurando, sem sucesso, alguma palavra para classificá-lo, mas que no final fez todo o sentido.

Mesmo considerando a história bem escrita, não foi uma leitura gostosa. Os personagens são meio apáticos, sem carisma, e tampouco consegui me transpor para os cenários descritos. O passar de páginas era apenas para descobrir o que acontecera ou qual a proposta da autora.

Não dá pra entender bem o propósito do livro, embora por um lado dê pra enxergar uma crítica às famílias que só pensam em dinheiro, em herança e terminam vivendo uma farsa e se destruindo.

É um livro interessante, mas é um pouco como ler uma mentira, então leiam por sua conta em risco. 😉

3 corações 3.5 EstrelasComprar:

livrariaculturalogo

 

 

Sinopse: Os Sinclair são uma família rica e renomada, que se recusa a admitir que está em decadência e se agarra a todo custo às tradições. Assim, todo ano o patriarca, suas três filhas e seus respectivos filhos passam as férias de verão em sua ilha particular. Cadence – neta primogênita e principal herdeira -, seus primos Johnny e Mirren e o amigo Gat são inseparáveis desde pequenos, e juntos formam um grupo chamado Mentirosos.

Durante o verão de seus quinze anos, as férias idílicas de Cadence são interrompidas quando a garota sofre um estranho acidente. Ela passa os próximos dois anos em um período conturbado, com amnésia, depressão, fortes dores de cabeça e muitos analgésicos. Toda a família a trata com extremo cuidado e se recusa a dar mais detalhes sobre o ocorrido… até que Cadence finalmente volta à ilha para juntar as lembranças do que realmente aconteceu.

A Herdeira (A Seleção #4), Kiera Cass

Autora: Kiera Cass
Distopia / Young Adult
Editora: Seguinte
Páginas: 390
Ano: 2015
Série: A Seleção #4

 

Quem leu a trilogia A Seleção (ou o que era originalmente uma trilogia) e gostou ficou surpreso quando viu, alguns meses atrás, que seria lançado um quarto livro. Como a autora também havia lançado alguns extras, como os contos O Guarda e O Príncipe, fui me certificar se A Herdeira não seria mais um. Não era. Era a história da herdeira do casal protagonista, vinte anos depois, em uma nova seleção.

Se não leu a trilogia – A Seleção, A Elite e A Escolha – aqui saberá qual foi a escolha do príncipe. Portanto, se não quiser esse spoiler, melhor parar por aqui 😉

Espera. Seleção? Outra? Vinte anos depois? Então aquele mundo distópico que pensávamos ter terminado com o desfecho da trilogia ainda existia? Como? Fiquei receosa de ler que todo o esforço de America e Maxon fora em vão, mas… bem… eu me apaixonara pela trilogia, como deixar de ler essa continuação? Voilà!

A Herdeira conta a história de Eadlyn, princesa e filha mais velha de America e Maxon, que desde o nascimento é treinada para ser rainha. A divisão da população por castas foi desfeita vinte anos atrás, mas o povo anda descontente e está começando a se revoltar novamente com a monarquia. Para distrair e alegrar seu povo, o rei e a rainha sugerem que seja feita uma nova Seleção, para que Eadlyn encontre um marido e possa se preparar para assumir seu posto com alguém ao seu lado.

Comecei a leitura e o que eu mais temia aconteceu. A própria autora foi destruindo tudo que ela construiu nos três livros anteriores. As atitudes de Maxon e America, agora rei e rainha, não são compatíveis com a personalidade mostrada anteriormente. Lutaram tanto e vinte anos depois pensam como pensavam seus predecessores, se tornaram um pouco daquilo que eles condenavam. Querer distrair seu povo com uma nova Seleção foi o que mais me decepcionou.

Bem, na esperança de me sentir como uma adolescente apaixonada tal como na trilogia original, deixei esse “detalhe” passar, mas outros problemas vieram. A princesa Eadlyn é uma das personagens mais irritantes que já vi. Uma garota mimada que repete a hora toda que foi criada para ser rainha, que tem um grande peso nas costas e muito poder nas mãos. Ela se questiona sobre isso repetidas – e cansativas – vezes.

Até um pouco mais da metade, não me vi envolvida com nenhum dos candidatos e pensei várias vezes em desistir da leitura. Contudo, a história realmente melhora quando se aproxima do fim, quando alguns personagens vão conquistando seu espaço e mostrando um certo carisma. Até a princesa Eadlyn fica suportável!

A escrita, em primeira pessoa pelo ponto de vista de Eadlyn, é simples e flui com facilidade, mas, por repetir demais os mesmos pensamentos e questionamentos da princesa, se torna um pouco sem graça.

Então, não tem nada de bom? Sim, tem. O final! Não por descobrirmos que teremos continuação, mas pela promessa de que a história tomará outro rumo que não a cópia da trilogia anterior. Gostei do gancho que a autora deixou para o próximo livro. Por mais que ela termine de um jeito que deixa o leitor na mão, simplesmente interrompendo a história, eu pude ver uma luz no fim do túnel.

Se eu soubesse que teria continuação, certamente não teria lido agora e é o conselho que deixo: só leiam quando a série estiver completa. É frustrante começar uma história e esperar meses para concluí-la. Se eu tivesse ela completa na mão, quem sabe eu não estaria com uma opinião mais positiva?

Por enquanto, fica a decepção de não ter me apaixonado, de não ter me encantado, de não ter lido o conto de fadas que eu esperava. Continua a saudade de uma America maravilhosa e um Maxon que fazia suspirar.

 

2.5 corações

Capas de A Seleção

As lindas capas da série ❤

 

Comprar Série A Seleção:

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Sinopse: A Herdeira – Vinte anos atrás, America Singer participou da Seleção e conquistou o coração do príncipe Maxon. Agora chegou a vez da princesa Eadlyn, filha do casal. Prestes a conhecer os trinta e cinco pretendentes que irão disputar sua mão numa nova Seleção, ela não tem esperanças de viver um conto de fadas como o de seus pais… Mas assim que a competição começa, ela percebe que encontrar seu príncipe encantado talvez não seja tão impossível quanto parecia.

Proibido, Tabitha Suzuma

Proibido Tabitha Suzuma

Autora: Tabitha Suzuma
Romance / Drama / Young adult *
Editora: Valentina
Páginas: 304
Ano: 2014

 

*Livro lido e resenhado em março de 2014, no original Forbidden.

Em lágrimas, eu digo: essa foi uma das histórias mais tristes e devastadoras que já li. Ponto. É tocante e extremamente bem desenvolvida, entrou na minha lista de favoritos, mas ainda assim digo: não leiam! Como alguém escreve um livro assim? Como alguém para e escreve sobre dois irmãos que se apaixonam?

Proibido conta a história de Lochen e Maya, os mais velhos de uma família de cinco irmãos, cujo pai os abandonara para viver com outra mulher do outro lado do mundo – e os esquecera -, e cuja mãe é uma alcoólatra que mal dorme em casa e tampouco se preocupa com os filhos. A falta de estrutura familiar é sentida em cada um dos cinco personagens principais e foi muito bem desenvolvida. (Eu me recuso a tratar a mãe como algo que não um lixo, então, não, ela não é um personagem principal.)

Lochen. Dezessete anos, o homem da casa e nenhum amigo. Entra em pânico só de pensar em falar com alguém na escola ou durante a aula. Emudece, empalidece, falta-lhe ar e, principalmente, faltam-lhe as palavras. Sua melhor amiga, confidente e a única pessoa com quem se sente bem: Maya.

Maya. Dezesseis anos, tão nova mas tristemente banida de uma etapa tão importante da vida, de uma adolescência que não pôde desfrutar, que para ela nunca existiu. Ao invés de festas e namoros, divide as responsabilidades da casa com Lochan, seu melhor amigo.

Kit. Eu odeio esse garoto, não deveria, mas o odeio. Um adolescente irritante de treze anos que nunca aceitou as ordens de seu irmão – nem o sumiço e a indiferença do pai – e fez de tudo para chamar a atenção de todos. Argh! Ele me tirou do sério!

Tiffin, um menino de 8 anos, cheio de energia. E Willa, uma garotinha de cinco aninhos e, talvez, a única coisa fofa em todo o livro.

Uma bagunça. O retrato das consequências de pais desastrosos e de um divórcio mal feito. Das consequências de se tornar adulto antes do tempo, forçado pela vida. Maya e Lochen. Um fazia o jantar, o outro colocava a irmãzinha para dormir. Um ensinava a tarefa, o outro dava banho e contava histórias. Dois jovens cuja alegria fora tirada por uma mãe estúpida, doente e negligente, que se vestia como uma vadia e estava sempre de ressaca, vomitando pelos cantos, e pelo desprezo de um pai.

Dois irmãos que se vêem com um sentimento que transcende o amor fraternal, que extrapola os limites da legalidade, que dói e perfura a alma. Um sentimento puro, mas proibido.

Tão delicado, tão frágil, tão quebrantável, e ainda assim tão forte, expressivo, intenso… Vi-me lendo com os olhos bem abertos e a garganta seca; a respiração curta, partida; um silêncio ensurdecedor que só me fazia ouvir as batidas altas do meu próprio coração. tum-tum, tum-tum, tum-tum. Um nó na garganta, uma dor no peito… Piedade. Angústia. Pena.

Como achar que não poderiam se amar se parecia que tinham sido feitos um para o outro? Como achar que aquilo era errado? E, ao mesmo tempo, como achar que seria certo? Seria aquele sentimento um amor carnal ou um forte amor fraternal perdido e enganado pelas circunstâncias da vida? Em outras circunstâncias, teriam se apaixonado? Se não tivessem sido sugados pela solidão que os destruía, teriam se apaixonado?

A autora soube escrever uma história única, que me prendeu e me deixou curiosa, com o coração apertado a cada página. Será que um dia se declarariam? Assumiriam tal sentimento? Não digo o rumo que a história toma, mas reforço o quão avassaladora ela é. Começa triste, seu desenrolar é triste e termina devastadoramente triste. Nada, absolutamente nada me fez sorrir. Nada tirou a dor que se implantou em meu coração logo nas primeiras páginas. Não há alívio, só há sufoco. Por que ler um livro assim? Não sei. Definitivamente, não sei. Talvez nos faça pensar, refletir… Talvez nos abra a cabeça, nos deixe menos preconceituosos, menos intolerantes… Não sei…ou talvez tenhamos um lado masoquista, simplesmente.

Devo ainda comentar sobre o público para o qual este livro é destinado. A Amazon o classifica como young adult – ou jovem adulto – que corresponderia a jovens de 12 a 18 anos e, bem, esses leitores não tem estrutura emocional suficiente para ler essa história. Não é moralismo, um adolescente lê o que quer, mas o conteúdo é pesado, não só pela tensão sexual, mas principalmente pela perturbação e descontrole emocional. Se foi desconfortável lê-la aos 29 – e sem ter um irmão para colocar no lugar do Lochan – aos 18 teria sido demasiadamente atordoante.

Nos primeiros vinte por cento da leitura eu supus o que me aguardaria ao final da história, e acertei, infelizmente. Mas nada, nem o fato de eu ler já imaginando o que viria, nada poderia ter me preparado para tal e, portanto, não adiantaria que eu aqui gritasse para alertá-los, pois seja como for, essa história vai lhes consumir e lhes fazer chorar. Muito. Preparados não estarão, mas estejam avisados.

FORBIDDEN

Capa Original


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Sinopse: Proibido – Ela é doce, sensível e extremamente sofrida: tem dezesseis anos, mas a maturidade de uma mulher marcada pelas provações e privações da pobreza, o pulso forte e a têmpera de quem cria os irmãos menores como filhos há anos, e só uma pessoa conhece a mágoa e a abnegação que se escondem por trás de seus tristes olhos azuis.

Ele é brilhante, generoso e altamente responsável: tem dezessete anos, mas a fibra e o senso de dever de um pai de família, lutando contra tudo e contra todos para mantê-la unida, e só uma pessoa conhece a grandeza e a força de caráter que se escondem por trás daqueles intensos olhos verdes.

Eles são irmão e irmã.

Mas será que o mundo receberá de braços abertos aqueles que ousaram violar um de seus mais arraigados tabus? E você, receberia?

Com extrema sutileza psicológica e sensibilidade poética, cenas de inesquecível beleza visual e diálogos de porte dramatúrgico, Suzuma tece uma tapeçaria visceralmente humana, fazendo pouco a pouco aflorar dos fios simples do quotidiano um assombroso mito eterno em toda a sua riqueza, mistério e profundidade.

Mar da Tranquilidade, Katja Millay

Mar da Tranquilidade

 

 

Autora: Katja Millay
Young Adult / Romance
Editora: Arqueiro
Páginas: 368
Ano: 2014

 

* Público-alvo: juvenil e jovem adulto

Eu tenho feito constantemente anotações na minha cabeça dizendo que vou deixar de ser coração mole e passar a dar nota máxima somente a livros excepcionais, com escrita impecável e blá blá blá. Então, me deparo com uma história emocionante e todos os meus planos caem por terra. Não sou imune à emoção, não ainda – e talvez não queira nunca ser.

Mar da Tranquilidade é um romance voltado para o público jovem-adulto que conta a história de Nastya, uma garota de 17 anos, cheia de segredos e mistérios, que muda de cidade e passa a se esconder sob roupas pretas e muita maquiagem, não quer ser vista, não quer piedade, não quer nada de ninguém e não fala uma palavra desde um certo acontecimento cerca de três anos antes. Nastya perdeu o que tinha de mais precioso e se sente morta, até que vê em Josh, um garoto que também se esquiva de todos e sofre ainda a perda de sua família, um pouco de si mesma. Sem perceber, começa a entrelaçar sua vida na dele e surge uma linda história, construída dia a dia, passo a passo, batalha por batalha. Poderá um ser a salvação do outro?

A narrativa é feita em primeira pessoa, em capítulos que se alternam entre os pontos de vista de Nastya e Josh, em um ritmo bem lento, porém deliciosamente gostoso. É admirável quando o autor consegue a proeza de escrever uma história sem pressa alguma e ainda assim torná-la prazerosa.

Os personagens são extremamente cativantes e vão lhe conquistando e lhe envolvendo ao longo da trama. Fico encantada quando consigo sentir como se estivesse dentro deles, como se eu fosse parte de tudo, como se a dor deles também fosse minha, cada pequeno sorriso também fosse meu, como se eu tivesse uma pontinha de participação em cada batalha vencida. Estar na pele deles me fascina e Mar da Tranquilidade me proporcionou isso.

A personalidade dos personagens é muito bem construída, sem ser óbvia demais, certinha demais ou errada demais. São palpáveis, são críveis, têm mais de um lado, são reais. A princípio parece que serão clichês estereotipados, mas prova-se o contrário, mesmo com os secundários. E aí preciso abrir espaço para falar de Drew. Que personagem maravilhoso! Drew é um amigo perfeito da maneira mais esquisita que você possa imaginar. Pensei que iria odiá-lo, terminei amando-o.

Passei a amar cada gesto de Josh, cada trapalhada de Drew, cada desenho de Clay, cada movimento de Nastya. Deu para amar até seus bolos e cookies, os jantares na casa dos Leighton… deu para se enfarar de sorvete, sentir o cheiro do verniz e o cansaço das corridas… deu para visualizar o clarão da garagem de Josh em plena escuridão da noite. Deu para sentir tudo, e mesmo com toda a dramaticidade, a narrativa não é depressiva. É triste, nos aperta o coração, mas estamos sempre esperançosos e cada pequena conquista nos conforta e nos aquece.

Recomendo de olhos fechados essa bela história que fala de perdas, recomeços, fraquezas, medos, angústias… fala de dor, de luto, da importância de acreditar, de esperar, de saber ouvir, de ser paciente… fala de amizade e de quanto ela pode tirar alguém da escuridão… fala, especialmente, de amar, do amor que não se prevê, que não se programa, do amor que simplesmente acontece. Do amor que emociona. Cinco lindos e românticos coraçõezinhos.

5 corações4.5 Estrelas

Mar da Tranquilidade - Katja Millay capa

Sinopse: Mar da Tranquilidade – Nastya Kashnikov foi privada daquilo que mais amava e perdeu sua voz e a própria identidade. Agora, dois anos e meio depois, ela se muda para outra cidade, determinada a manter seu passado em segredo e a não deixar ninguém se aproximar. Mas seus planos vão por água abaixo quando encontra um garoto que parece tão antissocial quanto ela. É como se Josh Bennett tivesse um campo de força ao seu redor. Ninguém se aproxima dele, e isso faz com que Nastya fique intrigada, inexplicavelmente atraída por ele. 

A história de Josh não é segredo para ninguém. Todas as pessoas que ele amou foram arrancadas prematuramente de sua vida. Agora, aos 17 anos, não restou ninguém. Quando o seu nome é sinônimo de morte, é natural que todos o deixem em paz. Todos menos seu melhor amigo e Nastya, que aos poucos vai se introduzindo em todos os aspectos de sua vida.

À medida que a inegável atração entre os dois fica mais forte, Josh começa a questionar se algum dia descobrirá os segredos que Nastya esconde – ou se é isso mesmo que ele quer.

Eleito um dos melhores livros de 2013 pelo School Library Journal, Mar da Tranquilidade é uma história rica e intensa, construída de forma magistral. Seus personagens parecem saltar do papel e, assim como na vida, ninguém é o que aparenta à primeira vista. Um livro bonito e poético sobre companheirismo, amizade e o milagre das segundas chances.

Deixe a Neve Cair – John Green, Maureen Johnson, Lauren Myracle

deixe a neve cair

 

 

Autores: John Green, Maureen Johnson, Lauren Myracle
Natal/ Contos/ Young Adult
Editora: Rocco Jovens Leitores
Páginas: 336
Ano: 2013

 

Quando li Deixe a neve cair eu vinha de uma sucessão de livros intensos, com temas bem pesados e histórias bem densas, e, bem, até as mais adeptas ao drama, como eu, precisam tomar um fôlego e respirar um pouco. Foi assim que esses contos pararam na minha cabeceira. Primeiro, adoro histórias de Natal. Segundo, adoro histórias na neve. Terceiro, adoro o John Green.

Deixe a neve cair é formado por três contos, cada um com cerca de 100 páginas, escritos por Maureen Jonhson, John Green e Lauren Myracle, respectivamente. Apesar de serem aparentemente independentes, eles compartilham o mesmo dia do ano – a véspera de Natal – alguns personagens e cenários, portanto, não vejo como lê-los fora de ordem. A decepção do livro é que o conto do John Green não é o melhor; a boa notícia é que gostei muito das outras duas autoras. Elas têm o mesmo estilo de escrita do John Green e o mesmo tipo de personagem. Quem está acostumada com o autor sabe que seus personagens são adolescentes inteligentes e não tão populares ou bonitos.

Os três contos são super fofos, descontraídos e leves. As histórias falam de amizade e têm sempre um quê de romance – fofinho – no ar. Eu poderia repetir fofinho, lindinho, bonitinho tantas vezes que isso aqui se tornaria enfadonho. Não pelo diminutivo, mas por esses personagens serem lindamente inocentes.

Os autores criaram personagens tão reais e cenas tão rotineiras que parece que você os conhece da vizinhança. Sabe uma cena comum entre adolescentes que estão sentados em um sofá assistindo um filme e conversando? Normalmente seria um trecho sem graça em qualquer livro, mas não no desses autores. Eles fazem aquilo soar tão natural, tão próximo do real, que você se vê impressionado com a simplicidade dos diálogos e pensa “nossa, já passei por isso!”. Eu ri muito, adorei a ingenuidade dos adolescentes e como eles surgiam de um conto para o outro.

Fiquei imaginando como terá sido a reunião entre esses escritores. Muito divertida, sem dúvidas. “Olha, será véspera de Natal, vai ter uma nevasca, um trem, uma Waffle House, um Starbucks com pufes roxos…” Fiquei imaginando as trocas de informações entre eles e como devem ter se divertido misturando todos os personagens e juntando-os no último capítulo do último conto. Bem, aquilo me embaralhou e me fez sorrir ao mesmo tempo, foi uma delícia.

Difícil classificar, pois apesar de ser adorável é super simples. E, bem, é simples, mas ao mesmo tempo não vejo defeito algum, pelo contrário. Foi um deleite! Uma excelente indicação para adolescentes, talvez dos 12 anos em diante (e para adultos-criança como eu rs). Uma fofurinha! Leitura deliciosa para o Natal 😉

4 corações

4 Estrelas

deixe a neve cair let it snow

Sinopse: Na noite de natal, uma inesperada tempestade de neve transforma uma pequena cidade num inusitado refúgio para insuspeitos encontros românticos. Em Deixe a neve cair, bem-sucedida parceria entre três autores de grande sucesso entre os jovens, John Green, Maureen Johnson e Lauren Myracle escrevem três hilários e encantadores contos de amor, com direito a surpreendentes armadilhas do destino e beijos de tirar o fôlego. Comédia romântica com a assinatura de um dos maiores bestsellers da atualidade, o livro é o presente de Natal perfeito para os fãs de John Green e de histórias de amor e aventura.

Especial: Colleen Hoover

Colleen Hoover, CoHo, Diva Pop, my Queen, é daquelas autoras que quando lança um livro eu largo tudo que estou fazendo para me deliciar com suas histórias. Escreve livros para jovens, com uma linguagem informal, mas cheia de encanto, sempre carregados de drama e tragédias, tão bem balanceados com amor e humor. Consegue dar leveza a temas pesados, nos faz rir e chorar, nos faz sofrer e amar. Ela atiça meu lado mais dramático, mais exagerado… E mesmo quando encontro os malditos defeitos, fecho os olhos e os esqueço. Difícil escolher dentre seus livros meu preferido, sou apaixonada por cada personagem, cada cena, cada detalhe…

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Colocarei aqui, na ordem em que foram lidos, o que escrevi sobre cada um deles. Lembro que os comentários abaixo foram escritos ao término de cada livro e, portanto, estão cheios da emoção do momento (yeah, exagerada com orgulho! rs) 😉

  • Métrica (Slammed #1)
  • Pausa (Slammed #2)
  • Essa Garota (Slammed #3)
  • Maybe Someday
  • Hopeless – Um Caso Perdido
  • Ugly Love
  • Losing Hope – Sem Esperança
  • Maybe Not

métrica

 

Young Adult / Jovem Adulto
Editora: Galera Record
Páginas: 304
Ano: 2013
Lido em Julho 2013
Slammed #1

Mais um livro que começo sem ler a sinopse e sem saber o que estava por vir. Confiando nas inúmeras pessoas que o avaliaram com nota 5 na Amazon até então, saí do trabalho, passei na livraria e, em casa, o devorei em cerca de 6 horas. Você simplesmente não consegue parar, mesmo que as lágrimas embacem sua visão e seus pensamentos. E foram muitas lágrimas, do começo ao fim.
Layken, ou Lake, é a personagem principal e narradora dessa comovente história. Mora no Texas com sua família perfeita: pais felizes e um irmãozinho de 9 anos. De repente, vê seu mundo virar ao avesso com a morte repentina de seu pai e a decisão de sua mãe, seis meses depois, de deixar sua calorosa cidade para morar no gelado Michigan. É lá que conhece seu novo vizinho, Will ♥, e, sem pestanejar, entrelaça sua vida na dele. Sem compreender, Lake se questiona sobre seus gestos e palavras mais corriqueiras diante desse novo garoto. Se pergunta porque disse isso, porque fez aquilo. A naturalidade com que se envolvem a assusta e o porquê da intensidade desse sentimento só é descoberta aos poucos. Logo começam a descobrir muitas pedras que precisam ser retiradas de seus caminhos.

Não pensem que é uma historinha de amor. É mais. É muito mais. É como aceitar a vida e todos os murros que ela dá na sua cara. É como ver o lado bom de cada detalhe que lhe atormenta. É como passar pela negação e aceitação. O que parecia uma história comum, surpreende com poesia. Sim, poesia! Não a poesia petrificada, rígida, mas a livre, sem regras ou parâmetros, aquela que surge lá de dentro do coração. E temos essa poesia apresentada por Will. Como não amar um Will tão poético, tão doce?

Nunca tinha ouvido falar em slam poetry, algo como poesia+performance. Descobri que fazer slam é gritar tudo o que está dentro de você, em métricas perfeitas, sejam dolorosas, sejam alegres. Descobri jovens escrevendo poesia, e gostando delas! Descobri que competições de slam existem e podem ser divertidas. Descobri jovens feridos, que por mais que a vida lhes derrubassem, se reerguiam com um sorriso no rosto e a mão estendida. Descobri o quanto a vida é frágil e o quão cruel ela pode ser.

Preciso citar os dois garotinhos dessa história, Kel e Caulder, irmãos de Lake e Will, respectivamente. A inocência dessas crianças diante de situações que julgamos tristes o suficiente para banir qualquer sorriso é reconfortante e nos revigora. E por aí, deu até para rir.

Preciso citar Eddie, também. Que melhor amiga é aquela?! Mágica! Onírica! Eddie não deixa que todo o sofrimento que carrega lhe tire a bondade e a afabilidade. Sua alegria é contagiante e pra lá de revitalizante.

Cada personagem desse livro é marcante, seja Lake, Will, Julia, Eddie, Kel ou Caulder. São críveis e incríveis. São perfeitos e imperfeitos.

Não pensem que é apenas uma história triste. É triste, é demasiadamente triste, mas é bela. É forte. É avassaladora. É encantadora. É linda. Mas, devo repetir, é triste. Ela mexe com seus maiores medos, que, infelizmente, é a realidade de alguém. Ela mexe com todos os seus sentimentos. Ela mexe com seus pensamentos. Ela revira tudo. Esteja preparado.

5 corações 5 Estrelas

 

 


 

Pausa

Young Adult / Jovem Adulto
EDITORA: GALERA RECORD
PÁGINAS: 301
ANO: 2013
LIDO EM JULHO 2013, no original Point of Retreat
SLAMMED #2

O segundo livro da série Slammed me prendeu, deixou boas mensagens, uma lição de vida espetacular, mas não ganhou meu coração com as mesmas forças que o primeiro, Métrica. Métrica levou um pedacinho de mim que, dificilmente, outro livro vai preencher. A boa notícia é que Pausa chegou perto! Se você não leu o primeiro livro, sugiro que pare aqui, pois essa resenha pode conter spoilers dele.

Em Pausa temos a história narrada por Will, e não mais por Lake. Pelos olhos de Will vemos jovens tentando ser pais de pré-adolescentes, tentando tomar as melhores decisões e tendo que se manter firme, mesmo quando a situação é cômica. Will e Lake estão levando seu romance sem pressa, cautelosos e cientes da dificuldade dessa relação. Julia os fez prometer que cada um continuaria em sua casa e que eles não se apressariam até que o relacionamento amadurecesse bem.

Não temos mais Julia, mas ganhamos uma vizinha que concorre com Eddie em quase todos os quesitos. Estou falando de Kiersten, que, pasmem, é só uma pré-adolescente. Ela e sua mãe, Sherry, foram personagens marcantes nesse livro e conseguiram suprir a falta que Julia faria. Temos Kel e Caulder crescendo, aprontando e até começando a se apaixonar. E como nem tudo são flores, Vaughn, a ex-namorada de Will, reaparece para fazer o mundo de Will e Lake ficar ainda mais complicado.

Uma pena é termos menos poesia que em Métrica, mas há uma surpresa♥ deixada por Julia que aparece aqui e acolá e nos faz sorrir. Que ideia incrível! Mrs. Hoover, you rock!

A maneira como a autora cria uma grande família com todos os personagens é envolvente. Uma família nada tradicional, eu sei, mas não menos encantadora. Os jantares com Lake, Will, Kel, Caulder, Kiersten, Eddie e Gavin foram mais que divertidos e prazerosos. Em contraponto, a segunda parte é de deixar o coração bem apertado, bem quietinho. Gulp!

O livro é lindo, a história continua bela, cheia de mensagens bonitas e positivas, nas quais podemos encontrar força para as maiores adversidades. Uma vida que nem sempre acontece na ordem em que planejamos, mas que pode ser tão, ou mais, feliz quanto.

Apesar de ter gostado do que li, a emoção, a alegria e a tristeza do primeiro livro é incomparável a desse. Ainda assim, totalmente apaixonante.

5 corações 4 Estrelas

 

 

 


 

essa garota

YOUNG ADULT / JOVEM ADULTO
EDITORA: GALERA RECORD
PÁGINAS: 336
ANO: 2014
LIDO EM Agosto 2013, no original This Girl
SLAMMED #3

Abro meus comentários dizendo que minha primeira impressão sobre esse livro não foi muito boa. Explico. Li Métrica e Pausa dentro de uma semana e logo corri para o terceiro livro, This Girl (Essa Garota). Com a minha mania de não ler sinopses, só descobri que se tratava de um “POV” (point of view – ponto de vista) do Will quando li o primeiro parágrafo. Não que eu não goste da versão masculina, mas o enredo de Métrica estava muito fresco na minha cabeça ainda, comecei a achar repetitivo e abandonei o livro. Um mês depois, sentindo falta de Will e Lake, retomei a leitura. Então, vai minha primeira sugestão: deixem a saudade de Métrica bater para começar esse livro e não se arrependerão.

Os parágrafos seguintes contém spoiler dos dois primeiros livros.

Essa Garota começa logo após o casamento de Will e Lake e nos dá um gostinho da lua de mel, do jeito carinhoso que um trata o outro, do amor imensurável que sentem e das provocações divertidíssimas entre eles. Ah, mas não era o ponto de vista de Will da história de Métrica?! É, e não é. Durante a lua de mel, Lake pede que Will lhe conte o que sentiu na primeira vez que se viram e a partir daí começa uma série de flashbacks contados por Will e interrompidos aqui e acolá pelos pombinhos recém-casados. Eis o que o faz diferente dos demais!

Não sabia que era possível, mas Will conseguiu me encantar ainda mais. Nos flashbacks vemos um Will ainda mais responsável, respeitoso e maduro, e compreendemos melhor suas atitudes e sua angústia. Nas quarenta e oito horas da lua de mel é impossível deixar cair os cantos dos lábios. Você vai se pegar sorrindo, amando, flutuando. Vai querer abraçá-los, beijá-los e acarilhá-los.

E quando eles voltarem para casa, você vai rir, vai gargalhar! Preciso dizer que Kiersten aparece e que é ela quem vai lhe arrancar essas risadas? Que personagem adorável!

Quando tudo estiver lindo ao ler “fim”, passe para o epílogo e verá. Verá um final alegre, divertido, leve e bonito. E realístico. E plausível. Majestoso. Fechou com chave de ouro, srta. Hoover! Ou melhor, com poesia!

4.5 corações 4 Estrelas

 

 


 

maybe someday

YOUNG ADULT / JOVEM ADULTO
EDITORA: atria
PÁGINAS: 367
ANO: 2014
previsão de lançamento no brasil pela galera record: 2015

Wow! Colleen Hoover, you rock, babe!!! Estou tentando juntar meus cacos e formar uma opinião entre a razão e a emoção. Precisei ler a sinopse para ver o que eu podia ou não comentar sobre Maybe Someday sem dar spoilers, sem tirar a graça e as surpresas dessa linda história. O spoiler maior eu sabia que não estava lá, mas eu tinha quase certeza que poderia comentar sobre um outro assunto que é, de certa forma, o tema central do livro. Vai ser difícil exprimir o que a Colleen me fez sentir nessa leitura sem que eu possa dar muita explicação ou muitos detalhes, mas vou tentar.

Antes de tudo preciso dizer que essa leitura nos traz logo de cara uma novidade: uma playlist. Ok, playlists em livros não são incomuns, mas uma playlist feita para o livro, com letras que se encaixam perfeitamente na história (e estão dentro dela), sim, é algo novo! Colleen sabiamente começa a nos ganhar antes mesmo de qualquer parágrafo lido, e devo dizer que adorei a experiência, especialmente porque as músicas são realmente bonitas.

Sydney era uma garota como qualquer outra, universitária, tinha um emprego estável na biblioteca da faculdade, dividia apartamento com Tori, sua melhor amiga, e era apaixonada pelo seu namorado, Hunter, até descobrir que ele a traía com ninguém menos que sua grande amiga. Perdida, sem saber para onde ir ou o que fazer, Sydney acaba aceitando a ajuda de Ridge, o misterioso garoto do apartamento da frente que costumava tocar violão na varanda e encantar Sydney, que observava e ouvia extasiada.

Parece mais do mesmo, mas não é, e o motivo não posso contar. Tudo que posso dizer é que me vi saltitando, querendo dar pulinhos de alegria e bater palminhas como uma criança feliz. Vi-me mergulhada nas canções, deitada em uma cama escrevendo e compondo, rindo e amando. Em uma narrativa em primeira pessoa que alterna entre os pontos de vista dos dois personagens principais, Colleen não decepciona. Sua escrita é maravilhosa, seus personagens são sempre encantadores, mesmo os secundários. Ela transforma um tema sério e pesado em algo leve e divertido. Faz-nos sorrir como bobos, faz com que nos apaixonemos e sintamos todas as borboletas na barriga, daquelas que só o início de um grande amor pode trazer.

No entanto, nem tudo são flores e, claro, também sofremos. Como sofremos!! É incrível a capacidade dessa autora em nos transportar completamente para a pele dos personagens. Eu senti tudo que a Sydney e o Ridge sentiram, assim como também me vi no lugar da Maggie e do Warren. Até a Bridgette ganhou minha simpatia! Era como se eu pudesse ser um pouquinho de cada um deles, como se todo aquele turbilhão de sensações estivesse dentro de mim, roubando-me o ar e alterando o ritmo do meu pulso. Não pensem que exagero, eu realmente senti toda a angústia como se fosse minha. Sufoquei-me. Vi-me engolindo em seco. Afoguei-me naquela situação, naquele nó indesatável. Com medo do que a autora faria, eu fechava o livro, parava e escutava as canções. Respirava e voltava. Angustiante talvez seja a melhor palavra para descrever esse livro, mas ele também é tão lindo, tão singelo, de um amor tão puro e genuíno, tão divertido, que qualificá-lo apenas como tal seria um enorme erro.

Avaliar esse livro não está sendo fácil para mim, pois, apesar de a emoção querer presenteá-lo com todas as estrelas possíveis, alguns pontos pediam melhores explicações e novamente é difícil comentá-las sem spoilers. São questões que o tornam um pouco miraculoso demais. Mesmo que tudo esteja dentro do possível, que existam situações reais parecidas com a do livro, eu gostaria que fosse um pouco mais crível ou que ela tomasse o personagem como um mini gênio e ponto final!

Ainda assim, a emoção fala mais alto e não posso deixar de recomendá-lo. Porém, aviso, esse livro deveria vir com um alerta para as pessoas que não querem ver seu coração sair pela boca, que não querem ter que segurá-lo em sua mão, com cuidado, com carinho, de tão pequenininho que ele vai ficar. Para os demais, mergulhem sem medo, pois é apaixonante!

5 corações

 

 


 

hopeless

Young Adult / Jovem Adulto
EDITORA: GALERA RECORD
PÁGINAS: 384
ANO: 2014
LIDO EM junho 2014, NO ORIGINAL hopeLess

Não sei se a raiva maior é não ter lido antes ou ter sido tão estúpida ao ignorar um livro que semana após semana, mês após mês, continuava na lista dos dez mais vendidos do New York Times. A capa de Hopeless nunca me foi convidativa, era como se me afastasse daquela leitura e nem sei dizer por quê. Eu havia lido há um bom tempo a trilogia Slammed (ou Métrica) e há poucos dias, Maybe Someday, que me encantou, me surpreendeu e me fez vir correndo para esse aqui. Antes tarde do que nunca!
Mais uma vez a sinopse é “péssima”, no bom sentido. Se, por um lado, ela não faz jus ao livro, por outro, ela guarda todas as surpresas – que não são poucas! Então, digo, não procure saber de nada antes do tempo, confie na Colleen Hoover, ela não decepciona. Colleen fuckintastic Hoover, I love you!! Brilhante!

Começamos a história conhecendo Sky e sua melhor amiga e vizinha Six, que está prestes a embarcar para um intercâmbio na Europa. Sky tem dezessete anos e sempre foi educada em casa, longe de qualquer tecnologia ou meio de comunicação, já que sua mãe adotiva, Karen, era avessa à tudo isso. As duas amigas eram bem namoradeiras – na realidade, Sky sempre namorava o amigo de quem quer que estivesse com sua vizinha. Só tinha um pequeno problema: ela não sentia nada, absolutamente nada, por aqueles garotos. Até que um dia, no mercado, vê Dean Holder e sua vida começa a tomar um rumo que ela jamais imaginara (nem você, caro leitor, nem você…)

Confesso que nos primeiros capítulos eu me perguntava onde estava a Colleen Hoover que eu aprendera a amar. Seu estilo estava ali, assim como seu humor e sua leveza, mas tudo parecia muito bobo, muito comum, e cheguei a pensar que se tratava de um romancezinho adolescente. Que erro! Aprendi que jamais devo subestimá-la!

Estava tudo muito fofinho, muito doce, diálogos ótimos e divertidos, mas faltava algo. Não, não faltava, mas só descobri depois! Cada pequeno gesto, cada comportamento, cada palavrinha dessa primeira parte “bobinha” tem um sentido e se encaixa perfeitamente na trama incrível que a autora criou. Quando você começa a achar que é só um romance e pronto, vem Colleen e, puft, lhe quebra no meio.

E você perde o fôlego! Fica tentando supor o que tudo aquilo significa e reza para estar errada, reza para estar completamente errada. Não, Colleen, você não vai fazer isso comigo, vai? Vai.

A partir daí eu nem sei mais o que eu sentia. Continuava amando Sky e Holder, continuava sorrindo com eles, olhando as estrelas, entrelaçando os dedos, me apaixonando por cada linda declaração… continuava encantada! No entanto, tudo isso era quase segundo plano se comparado aos muitos elogios que eu gritava sozinha para a autora. Colleen, você é fantástica! (Acrescente aí muitos outros elogios “feiosos” que saíram involuntariamente da minha boca). A cada página virada meus olhos brilhavam, mesmo com o tema pesadíssimo, com a perfeita trama que ela criou, desde a personalidade, o caráter e o comportamento dos personagens até os jogos de palavras e seus significados.

Fiquei um pouco “incomodada” com a maturidade de Holder, que parece já ter vivido muito mais que seus dezoito anos, mas isso não chega nem perto de ser um defeito. Tenho consciência de que as pessoas reagem às situações que a vida lhe impõe de diferentes formas, ganhando experiência e maturidade que não podem ser generalizadas. Digo isso em resposta a um comentário que li na Amazon (com apenas uma estrela) que questionava o comportamento de Sky, dizia que pessoas “como” ela não reagem daquela forma na vida real. Concordar com isso seria afirmar que somos todos iguais, todos robôs com comandos de reação pré-programados. Sky e Holder não são máquinas, nem tampouco são jovens comuns.

Minha única ressalva foi a tradução, e sei que criticar é fácil, mas traduzir está bem longe disso. Recomendaram-me que eu lesse Hopeless em inglês e que eu entenderia o porquê quando o fizesse. Então, resolvi fazer uma leitura comparativa, experiência que há muito tempo eu queria fazer (mas a preguiça ou a ansiedade sempre falava mais alto), e abri o original em inglês e a versão brasileira ao mesmo tempo (e surtei!). Essa autora adora brincar com as palavras e seus significados, elas são peças de um jogo muito bem construído e desenvolvido, e muito disso se perde na tradução, deixando tudo um pouco menos mágico e brilhante do que é, a começar pelo título, que jamais deveria ter mudado. Simples notas de rodapé teriam dado ao leitor mais fidelidade àquilo que a autora quis dizer, e não entendo qual a dificuldade nisso. Mas, esqueçamos esses detalhes…

É uma história super emocionante, que vai lhe deixar com um nó na garganta e os olhos marejados, que vai lhe fazer ter vontade de assassinar um personagem com as próprias mãos e extirpar do mundo cada um que se pareça com ele. É uma linda história que comove e que, apesar de triste, dá esperanças de que tudo um dia pode dar certo. A autora consegue – como sempre – trazer leveza a um tema pesado, humor aos momentos difíceis e muita compreensão e amor para curar as feridas e a dor. Faz isso com muita perspicácia e delicadeza, sem parecer que está minimizando ou desdenhando de um tema doloroso e sério. Como em todos os seus livros, entramos em uma montanha-russa cheia de curvas, aros e espirais, mas, dessa vez, Colleen Hoover, você se superou! Linda, belíssima, maravilhosa história de amor e amizade. Intenso, forte… imperdível!

5 corações 5 Estrelas

 

 


 

ugly love

new ADULT / novo ADULTO
EDITORA: atria
PÁGINAS: 337
ANO: 2014
PREVISÃO DE LANÇAMENTO NO BRASIL PELA GALERA RECORD: 2015

Resenha aqui 😉

5 corações 4 Estrelas

 

 


 

losing hope
YOUNG ADULT / JOVEM ADULTO
EDITORA: ATRIA
PÁGINAS: 245
ANO: 2014
PREVISÃO DE LANÇAMENTO NO BRASIL PELA GALERA RECORD: 2015

Losing Hope – Sem Esperança é o segundo livro da série Hopeless, e nos traz a história de Holder e Sky contada pelos olhos de Holder. Não é apenas um pov (ponto de vista) do personagem masculino, já que temos muitos fatos desconhecidos e passamos a conhecer muito mais da história de sua irmã. Vale a leitura, mas Hopeless ainda é meu queridinho.

 

4 corações 4 Estrelas

 

 


 

Capa Maybe Not
NEW ADULT / Novela
EDITORA: ATRIA
PÁGINAS:129
ANO: 2014

 

 

Maybe Not é uma novela sobre um dos personagens de Maybe Someday. Clique aqui para ver a resenha.

 

4 corações 4 Estrelas

 

 

Próximos lançamentos:

 

  • – Never Never (10 de janeiro 2015, em parceria com a autora Tarryn Fisher)
  • – Confess (10 de março 2015)
  • – November Nine (Novembro 2015, ainda sem capa)

confess never never